Tende o uso das orações jaculatórias, que são suspiros de amor que soltamos diante de Deus para solicitar a Sua ajuda e socorro. Para o que, muito vos servirá guardardes na vossa imaginação o ponto da meditação de que mais tiverdes gostado, para remastigá-lo durante o dia, como se faz com as pastilhas para o corpo. Para isso vos servirá mesmo uma cruz, ou uma imagem devota pendurada ao pescoço ou ao vosso terço, manuseando-a e beijando-a muitas vezes em honra daquele que ela representa; e, quando o relógio bater, dizer uma palavrinha de coração ou de boca, como seja: Viva Jesus! ou então: Eis a hora de acordar! ou então: Aproxima-se a minha hora; e semelhantes.
Lançai amiudadamente o vosso coração nas mãos de Deus, descansai a vossa alma na sua bondade, e ponde o vosso cuidado debaixo da sua proteção. Fazei bem o que puderdes; e o resto deixai-o a Deus, que o fará mais cedo ou mais tarde, segundo a disposição da sua providência.
Representai na vossa imaginação Jesus Cristo crucificado nos vossos braços e no vosso peito, e dizei cem vezes, beijando-Lhe o lado: É aqui a minha esperança, é esta a fonte viva da minha feÍicidade, é o coração de minh’alma, é a alma de meu coração; jamais coisa alguma me desprenderá dos seus amores; seguro-o e não o largarei enquanto Ele não me puser em lugar de segurança. Dizei-Lhe a miúdo: Que posso eu ter na terra e que pretendo eu no céu senão a Vós, ó meu Jesus? Sois o Deus do meu coração, e a herança que desejo eternamente.
O exercício da união com Deus pode-se mesmo praticar por curtos e passageiros, mas frequentes, surtos do nosso coração para Deus, por modo de orações jaculatórias feitas nesta intenção: Ah Jesus! quem me dará a graça de ser um só espírito conVosco! Enfim, Senhor, rejeitando a multiplicidade das criaturas, só quero a Vossa unidade! Ó Deus, sois o só uno e a unidade única necessária à minha alma! Ai! caro amigo do meu coração, uni a minha pobre única alma à Vossa muito única bondade! Oh! sois todo meu, quando serei todo Vosso? O imã puxa o ferro e aperta-o: Ó Senhor Jesus, meu imã, meu puxa-coração, cerrai, apertai e uni para sempre meu espírito ao Vosso peito paterno! Oh, já que sou feito para vós, por que não estou em vós? Abismai esta gota de espírito, que me destes, dentro do mar da Vossa bondade, da qual ela procede. Ah, Senhor, já que Vosso coração me ama, por que não me arrebata a Si, já que eu bem o quero? Atrai-me, e correrei atrás dos Vossos atrativos, para me lançar nos Vossos braços paternos e nunca sair deles pelos séculos dos séculos. Amém.
Elas poderão (as Freiras da Visitação) sair da oração pela manhã considerando Nosso Senhor no mistério em que o meditaram, e se deterão sobre alguns dos pontos de que mais tiverem gostado. Por exemplo, se meditarem o mistério da Flagelação, e se o olhar meigo e amoroso que o divino Salvador lançava uma vez por outra sobre aqueles que o flagelavam, lhes tiver tocado o coração, devem elas recordá-lo amiudadas vezes, fazendo em seguida esta elevação: Ó doce Jesus! olhai-me com os olhos da Vossa misericórdia. – De outra vez: Oh, Senhor, tirai de mim tudo aquilo que pode desagradar aos Vossos olhos!
Poderão também ficar docemente aos pés de Nosso Senhor, como Madalena, escutando o que Ele lhes disser ao coração, considerando-Lhe a bondade e o amor, e falando-Lhe de vez em quando por estes transportes de coração e orações jaculatórias, tais ou semelhantes: Ó Deus! sois meu Pai, recebei-me nos braços da Vossa divina providência! – Meu Deus, tende compaixão da minha miséria! – Oh, Senhor, viva eu só para Vós! – Ai, minha salvação! dai-me o Vosso amor!
Minha cara Senhora, saúdo-vos e venero-vos de todo meu coração. – Mãe de misericórdia, rogai por mim. – Rainha do céu, recomendo-vos minh’alma. – Minha doce Mãe, alcançai-me o amor de vosso Filho . . .
Anjo glorioso, que me tendes em guarda, rogai por mím. – Meu caro guardião, dai-me a vossa bênção. – Bem-aventurado Espírito, defendei-me do inimigo. – Meu caro Protetor, dai-me uma grande fidelidade às vossas inspirações.
O mesmo farão elas para com os Santos e Santas a quem tiverem particular devoção, como S. José, Santo Agostinho, S. João Batista; os príncipes da Igreja S. Pedro e S. Paulo, S. João Evangelista, padroeiro das virgens, S. Bernardo, S. Francisco de Assis, Sant’Ana, Santa Maria Madalena, as três Santas Catarinas e outros gloriosos Santos.
Quando o relógio bater, suspirem elas as horas inutilmente passadas; – pensem que deverão dar contas dessa hora e de todos os momentos da sua vida; – que se aproximam da eternidade; – que as horas são séculos para os infelizes condenados; – que nós corremos para a morte; – que a nossa hora derradeira soará talvez breve.
Façam, pois, as Irmãs, de tais pensamentos, alguma devota aspiração, a fim de que Deus lhes seja propício nessa hora derradeira, o que sucederá infalivelmente às que se tornarem mui cuidadosas desse exercício, que devem praticar em todo tempo e em qualquer ocasião, e por meio do qual crescerão e aproveitarão todos os dias de virtude em virtude, até à perfeição do amor divino.
O Segredo da Salvação, A Lembrança da presença de Deus e as Orações jaculatórias, extraído das Obras de S. Francisco de Sales, por Fernando Millon, Missionário de S. Francisco de Sales, 1952.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico