Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico

Ó Jesus que dissestes: “Não vim para ser servido, mas para servir” (cfr. Mt. 20, 28), ensina-me a amar o último lugar.

1 – Jesus mostrou-nos, não só com palavras, mas também com o exemplo, que não veio para ser servido mas sim para servir e quis reservar este exemplo para a véspera da Sua Paixão como para no-lo deixar em testamento juntamente com os Seus últimos e mais preciosos ensinamentos. Antes de instituir a Eucaristia, “começou a lavar os pés aos discípulos” como qualquer escravo e quando acabou, disse: “Dei-vos o exemplo a fim de que façais o mesmo que eu fiz” porque “o servo não é maior que o seu Senhor, nem o enviado maior que quem o envia” (Jo. 13, 15-16). A lição é clara: se queres ser verdadeiro discípulo de Jesus, tens de te humilhar como Ele; e repara que não se trata apenas de te humilhares diante de Deus, mas também diante do próximo. Considerares-te como servo nas tuas relações com Deus não é difícil, mas considerares-te servo e proceder como tal nas relações com o próximo, é mais difícil. Muito mais difícil ainda é deixares-te tratar como servo, isto é, sem atenções, sem consideração alguma, pelos que te são inferiores. E no entanto, sendo infinitamente superior a todos, Jesus quis ser tratado não apenas como servo, mas até como escravo e malfeitor.

Assim com a humildade te coloca, perante Deus, num lugar de inferioridade, de dependência absoluta, do mesmo modo te faz tomar “o último lugar” perante o próximo. “Ai de vós, que gostais de ter as primeiras cadeiras nas sinagogas” (Lc. 11, 43) disse Jesus aos fariseus, condenando a “caça” aos primeiros lugares, ofícios e cargos honrosos, e acrescentou: “Quando fores convidado, vai tomar o último lugar” (Lc. 14, 10). Tanto quanto depende de ti, procura escolher sempre o último lugar onde quer que te encontres, mas fá-lo com simplicidade e naturalidade de modo que ninguém repare e te venha convidar para subires ao primeiro lugar. Espera só de Deus esse convite, não nesta vida, mas na outra.

2 – Durante a última ceia Jesus quis ainda dar ao Apóstolos uma outra lição de humildade: enquanto discutiam sobre qual deles deveria ser considerado o maior, o Senhor disse-lhes: “O que entre vós é o maior, faça-se como o mais pequeno, e o que governa seja como o que serve” pois também eu “estou no meio de vós como um que serve” (Lc. 22, 26-27). Quando Jesus fala das nossas relações com o próximo, insiste sempre em que cada um tome o lugar de servo e se considere servo dos outros. Foi o que disse também ao propor-nos uma criancinha como modelo de perfeição. “Se alguém quer ser o primeiro, será o último de todos e o servo de todos” (Mc. 9, 34); e repetiu-o ao advertir os Seus discípulos para que não imitassem a conduta soberba dos fariseus; “o que entre vós for o maior será vosso servo” (Mt. 23, 11). Torna-se evidente que, para os discípulos de Cristo, o lugar de honra, o lugar privilegiado, é o lugar de servo. O Divino Mestre insiste em que os que ocupam os primeiros lugares sejam os mais solícitos em se fazerem servos de todos.

Sendo assim, se tens alguma autoridade sobre o teu próximo, pensa que não te foi dada para tua honra, mas para o serviço dos outros. Se, porém, nada te distingue do nível comum, não procures evidenciar-te; se o teu lugar é o de inferior, ocupa-o de boa vontade, não procurando nunca sair dele. Confiando-te um lugar humilde, o próprio Deus tomou a Seu cuidado fazer-te praticar a humildade; é esta uma das maiores graças que Ele te pode conceder, procura corresponder-Lhe, exercitando-te muito nesta virtude.

“A única coisa por ninguém invejada é o último lugar – dizia Sta Teresa do Menino Jesus – e só nele não há vaidade e aflição de espírito” (CL.).

Colóquio – “Ó Senhor Jesus, quando éreis peregrino sobre a terra, dissestes: ‘Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração e achareis o repouso das vossas almas’. Sim ó poderoso Monarca dos céus, a minha alma encontra o repouso vendo-Vos revestido da forma e da natureza de escravo, abaixar-Vos até lavar os pés dos Vossos apóstolos. Lembro-me então destas palavras que pronunciastes, para me ensinar a praticar a humildade: ‘Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais vós também. O discípulo não é maior que o seu Mestre… Se compreendeis estas coisas, bem-aventurados sereis, se as praticardes.’ Compreendo, Senhor, estas palavras saídas do Vosso Coração manso e humilde e quero praticá-las com o auxílio da Vossa graça.

“Quero abaixar-me humildemente e submeter a minha vontade à dos outros, sem os contradizer em nada e sem examinar se têm ou não o direito de mandar. Ninguém, ó meu Bem-amado, tinha esse direito sobre Vós e, no entanto, obedecestes não somente à SSma Virgem e a S. José, mas também aos Vossos carrascos.

“Ó Senhor, para me ensinardes a humildade não podíeis ter-Vos abaixado mais; também eu quero, para corresponder ao Vosso amor, pôr-me no último lugar, partilhar as Vossas humilhações a fim de ter parte conVosco no reino dos céus.

“Eu Vos suplico, ó meu divino Jesus, enviai-me uma humilhação cada vez que eu tentar elevar-me acima dos outros.

“Mas, Senhor, Vós conheceis a minha fraqueza; todas as manhãs faço o propósito de praticar a humildade e à noite reconheço que cometi ainda muitas faltas de orgulho. à vista disto tenho vontade de desanimar; mas sei que o desânimo é também orgulho; quero portanto, ó meu Deus, fundar a minha esperança só em Vós; já que podeis tudo, dignai-Vos fazer nascer na minha alma a virtude que desejo” (T.M.J. – Oração).

Intimidade Divina, Meditações Sobre a Vida Interior Para Todos os Dias do Ano, P. Gabriel de Sta M. Madalena O.C.D. 1952.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico