Ainda que esta Soberana cheia de amor ame a todos os homens como filhos seus, contudo sabe reconhecer os que mais a amam, e tem para com eles maior ternura.
Ó Maria, Rainha do céu e da terra, Mãe do Soberano do universo, a maior, mais elevada e amável das criaturas, é verdade que, na terra, muitos não têm a felicidade de vos conhecer e amar; no céu porém milhões de anjos e bem-aventurados vos amam e louvam sem cessar! e ainda cá na terra, quantas felizes almas vivem abrasadas de amor para convosco, e extasiadas da vossa bondade! Ah! pudera eu amar-vos assim, ó minha amabilíssima Soberana, pudera eu pensar continuamente em vos servir, louvar, honrar, e fazer-vos amar de todo o mundo! Pelos atrativos da vossa beleza arrebatastes a um Deus, e o arrancastes, digamos assim, do seio de seu Pai eterno para descer sobre a terra, e fazer-se homem e filho vosso; e eu, verme desprezível, não vos amaria? Não será assim, ó minha Mãe dulcíssima: quero amar-vos, sim, quero amar-vos ardentemente, e fazer tudo o que puder para vos fazer amar também dos outros. Aceitai, pois, ó Maria, o desejo que tenho de vos amar, e ajudai-me a executá-lo. Sei que o vosso Deus olha com complacência para os que vos amam; depois da sua própria glória, nada deseja Ele tanto como a vossa, pois vos quer honrada e amada de todos. De vós é, ó minha Rainha, que espero todos os bens: a vós pertence obter-me o perdão dos meus pecados e a perseverança; a vós, tirar-me do purgatório; a vós enfim, introduzir-me no paraíso. Eis aqui até onde se estende a esperança dos que vos amam, e esta esperança não é vã; tal é também a minha, pois vos amo de todo o meu coração e sobre todas as coisas, logo depois de Deus.
As Mais Belas Orações de Santo Afonso, Coordenadas pelo Pe. Saint-Omer, Redentorista e vertidas para o vernáculo por D. Joaquim Silvério de Sousa, Editora Vozes, 1961.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico