Santa Rosa de Lima († 1617)
O dia de hoje pertence à memória de uma Santa da América do Sul. Rosa, ou, segundo o nome de batismo: Isabel, nasceu em 1586, em Lima, filha de pais espanhóis. A extraordinária beleza da criança motivou a mudança do nome de Isabel para Rosa. Menina ainda, escolheu Santa Catarina de Sena por modelo e protetora, e com o maior cuidado procurou imitar e cultivar as virtudes da grande Filha de São Domingos.
Os elogios que ouvia, por causa da formosura, puseram-na de sobreaviso e fizeram-na fugir de tudo que lhe pudesse ser ocasião de pecado. Devendo aparecer em público, esfregava antes mãos e rosto com cortiça e pó de pimenta da Índia, para assim deslustrar a cor viva e natural da pele. Esta precaução deve envergonhar tantas donzelas e senhoras católicas, que muito dinheiro gastam e muito tempo perdem com as artes cosméticas, não enxergando as ciladas que o demônio com isto lhes arma à sua inocência e à inocência de outros. Vemos os grandes Santos praticar obras de rigorosa penitência, para livrar-se das tentações do demônio. Santa Rosa penitenciava-se a si própria, para prevenir os ataques que lhe pudessem vir. Conhecendo no amor próprio o inimigo principal de toda a virtude e gerador de todas as paixões, contra ele dirigiu todo o rigor das penitências. Conseguiu o completo domínio sobre este tirano, pela prática da humildade e pela obediência sem reserva aos pais, como também por uma paciência sem limite nas contrariedades da vida. Infelizes nos negócios, os pais perderam a fortuna e para ter sustento, Rosa entrou para o serviço doméstico, como empregada, na família de um cidadão. Com a maior pontualidade se dedicou ao trabalho, sem se esquecer das práticas de piedade. Nunca família alguma teve empregada mais fiel, mais virtuosa, que os patrões de Rosa tiveram.
Quando, porém, a quiseram obrigar a tomar estado, além de renovar o voto de castidade, anteriormente feito, entrou para a Ordem Terceira de S. Domingos. Foi morar numa cela estreita e pobre, onde se entregou às práticas da mais austera penitência, colocando na cabeça uma coroa de espinhos, para assim ter sempre presente a lembrança da Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Tendo-se em conta de grande pecadora, não cessava de cantar as misericórdias divinas e no coração lhe ardia um amor a Deus tão intenso, que lhe parecia estampado no semblante. Ajoelhada nos degraus do altar do Santíssimo Sacramento ou tendo recebido a santa Comunhão, com o espírito arrebatado a celestes regiões, antegozava da união íntima com a Santíssima Trindade, que é o encanto e a vida dos bem-aventurados. A cruz não lhe faltou, sendo que, durante quinze anos, teve de sofrer duras perseguições de pessoas que viviam no mundo, e curtir provações e tentações as mais graves.
Todos esses sofrimentos, que Deus mandou à sua serva, serviram para firmá-la mais na virtude e santidade. Na última doença, que lhe causou grandes dores, dizia frequentemente: “Senhor, fazei-me sofrer mais, contanto que aumenteis meu amor por vós”. Preparada assim para as bodas eternas, a esposa de Jesus ergueu o voo para o céu em 24 de Agosto de 1617.
O enterro de Rosa foi uma verdadeira apoteose. O próprio Arcebispo de Lima presidiu às exéquias, e as pessoas mais gradas da sociedade e do clero disputavam a honra de carregar-lhe o caixão mortuário.
Às centenas contam-se os milagres realizados no túmulo da santa virgem, todos testemunhados por muitas pessoas e rigorosamente examinados pela autoridade eclesiástica. Clemente X canonizou-a em 1671 e marcou-lhe a festa para o dia 30 de Agosto.
REFLEXÕES
Não só S. Pedro é pescador de homens; o demônio não o é menos. Também ele lança a rede, e muitos são os peixes que se lhe emaranham nas malhas. Também ele lança o anzol, provendo-o da isca da vaidade. Como a vaidade do corpo é uma inclinação mais natural da mulher do que do homem, o demônio tem jogo fácil em aproveitar-se desse fraco e afastar muitas almas do caminho da virtude. A posição da mulher cristã na sociedade e no lar exige que dispense ao corpo a necessária atenção e se vista com elegância e decência. Relaxamento e negligência neste particular nunca foi virtude e nem agrada a Deus. O exagero, porém, é do mal. A mulher católica, que como tal se preza, não se deixa escravizar pela moda, mormente quando esta se apresenta contraria às leis da honestidade cristã. Repetidas são as admoestações do Apóstolo S. Paulo às mulheres exigindo, que se vistam com decência. Grande responsabilidade assumem as mulheres que, não observando as leis da moral no vestir, não só escandalizam o próximo, como também põem em grande risco a própria salvação. “Dize-me como te vestes e dir-te-ei quem és”.
Na Luz Perpétua, Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus para todos dos dias do ano, apresentadas ao povo cristão por João Batista Lehmann, Sacerdote da Congregação do Verbo Divino, Volume II, 1935.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico