Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
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CAtólico
Santa Brígida da Suécia [Detalhe], em um retábulo na igreja de Salem, Södermanland, Suécia, Hermann Rode (final do século 15), Domínio público / Wikimedia Commons.

Santa Brígida

Santa Brígida († 1373)

Santa Brígida, descendente de nobre estirpe da Suécia, figura entre os Santos mais privilegiados da Igreja Católica. O ano de seu nascimento foi provavelmente o de 1302. Órfã de mãe desde a mais tenra idade, foi educada por uma parenta próxima.

Brígida  tinha 10 anos, quando ouviu um sermão sobre a Paixão de Nosso Senhor, que muito a impressionou. Na noite seguinte, Cristo lhe apareceu em sonhos, crucificado, todo ensanguentado e chagado. A menina, tomada de profunda compaixão, perguntou:

– Senhor, quem vos maltratou desta maneira?

Cristo respondeu-lhe:

– “Foram aqueles que desprezaram meu amor, isto é, aqueles que transgredem os meus mandamentos e se mostram ingratos ao amor infinito que lhes dedico.”

Esta visão e as palavras de Nosso Senhor ficaram gravadas na memória da menina, que desde aquela hora manteve uma devoção terníssima à Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

À primeira visão seguiu-se outras mais, principalmente na hora da oração. Rara era a noite que Brígida não, se levantasse, para passar umas horas em meditação.

Muitas maneiras inventavam seu amor para castigar o corpo e deste modo no sofrimento se unir àquele que tanto sofreu por nossa causa.

Obedecendo a uma ordem do pai, teve de contrair matrimônio com Ulfo, príncipe de Nericia. Brígida contava apenas 13 anos. Tanta força moral tinha sobre o marido, que este em pouco tempo se tornou piedoso católico praticante, quando antes era amigo do jogo, do luxo e pouco afeito às práticas religiosas.

Ambos entraram na Ordem Terceira de S. Francisco. A casa transformou-se lhes então em uma espécie de convento, em que eram praticadas as mais duras mortificações. Este espírito de piedade e de temor de Deus soube o piedoso casal comunicar aos empregados e subalternos.

Tiveram oito filhos, sendo quatro homens e quatro mulheres. Dois filhos homens morreram na meninice e outros dois faleceram numa viagem, à Terra Santa. Duas filhas, que ficaram em companhia da mãe, eram modelos de virtude e edificavam a todos com seu exemplo. Um a outra fez-se religiosa e santificou-se no convento. A mais nova, Catharina, teve as honras dos altares da Igreja. De tudo isto se conclui que Brígida soube dar aos filhos uma educação primorosa. Ella mesma os instruiu na santa doutrina e na arte de viver santamente. Pela palavra e pelo exemplo ensinou-lhes a praticarem as obras de misericórdia, penitência, mortificação e piedade.

Com licença do esposo, fundou um hospital, figurando ela mesma entre as enfermeiras, servindo os mais pobres e abandonados. Os serviços mais humildes reservava para si, chegando a lavar e beijar os pés dos pobres enfermos.

Em certa ocasião, em companhia do marido, fez uma viagem ao túmulo de S. Tiago, em Compostela. Na volta o companheiro adoeceu gravemente. Numa visão, S. Dionísio lhe revelou entre outras coisas, o restabelecimento do doente. Ulfo convalesceu e pode Brígida observar uma grande mudança na alma do marido, o qual, farto das coisas do mundo, tomou a resolução de agregar-se a uma Ordem, o que fez com consentimento da esposa. Ulfo entrou para a Ordem dos Cistercienses, na qual viveu e morreu santamente.

Brígida viveu ainda trinta anos, entregue inteiramente a obras de caridade, de penitência e de piedade. Em quatro dias da semana praticava o jejum, sendo o da sexta-feira a pão e água. A maior parte da noite passava-a em oração. Longas horas permanecia diante da imagem do Crucificado ou nos degraus do altar do Santíssimo Sacramento. Diariamente dava alimento a doze pobres, servindo-os na mesa.

Fundou um convento para sessenta religiosas, dando-lhes a Regra de Santo Agostinho, à qual acrescentou algumas constituições. Mais tarde se organizou uma Ordem masculina, sob a observância desta mesma regra. Dessa maneira teve início a celebre Ordem de Santa Brígida. Ela mesma se fez religiosa no convento que fundara e deu às companheiras o exemplo mais perfeito de virtude. Dois anos depois de ter tomado o hábito, foi com a filha Catharina a Roma e a Terra Santa. Acometida de uma febre violenta, voltou doente para sua terra e não mais teve saúde. As grandes dores que sofria, suportava-as com a maior paciência, evocando em espírito a lembrança da Sagrada Paixão de Nosso Senhor. Por amor do divino esposo desejava poder sofrer mais ainda. Grande consolo trouxe-lhe uma visão de Cristo, que lhe assegurava a salvação. Foi-lhe revelada também a hora da morte. Muito bem preparada e inteiramente conformada com a vontade de Deus, morreu nos braços da filha Catharina, tendo alcançado a idade de setenta e um anos. Antes e depois da morte, Deus glorificou sua serva com numerosos milagres.

O corpo de Santa Brígida foi depositado em Roma, na igreja de S. Lourenço, em Panis Perna, que pertencia às pobres Clarissas. No ano seguinte (1374), porém, os filhos lhe fizeram a transferência para o convento de Wastein, na Suécia. O Papa Bonifácio IX canonizou-a e fixou-lhe o dia da festa.

Santa Brígida escreveu diversos livros de edificação espiritual. O mais celebre é o livro de suas revelações, composto pelos confessores da Santa e aprovado pelo Concílio de Constança.

REFLEXÕES

Santa Brígida conseguiu do esposo a conversão, transformando-o de grande amigo do mundo em servo de Deus. Aos filhos deu uma educação verdadeiramente cristã. Se as mães de família quisessem praticar as virtudes que Santa Brígida exercitou, bem diferente seria o estado das coisas em muitas famílias. Grandes, muito grandes são os merecimentos que uma mãe de família pode colher para si, mas grande também lhe é a responsabilidade. Quantos e quantos pecados poderiam ser evitados nas famílias, se as mães soubessem levar a cruz com paciência cristã e educar os filhos no espírito de Nosso Senhor! Se Cristo não consegue reinar em muitos lares católicos, a culpa cabe quase sempre aos pais, que, longe de darem bom exemplo aos filhos, os escandalizam pela falta das virtudes mais necessárias e pelas concessões que fazem, a princípios contrários à lei de Deus. Pais cristãos não se devem esquecer nunca do salmista: “Que ponham toda a confiança em Deus, não se esqueçam das obras d’Ele e observem seus mandamentos”. (Ps.77. 7).

Na Luz Perpétua, Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus para todos dos dias do ano, apresentadas ao povo cristão por João Batista Lehmann, Sacerdote da Congregação do Verbo Divino, Volume II, 1935.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico