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O Santo mártir, São Venceslau - uma pintura no altar de São Venceslau - Fonte: www.katedra-wawelska.pl

São Venceslau de Boêmia, Rei e Mártir

São Venceslau de Boêmia, Rei e Mártir (936)

São Venceslau Rei e Mártir, duque da Boêmia, teve por pai Wratisláu, homem de grandes virtudes e por mãe Drahomira, inimiga figadal do Cristianismo e de péssimo proceder. Na hora em que sentia a morte aproximar-se, Wratisláu confiou Venceslau aos cuidados de sua santa avó Ludmila e Bolesláu, o filho mais novo, ficou entregue à mãe, Drohomira. Sendo tão desiguais as duas mulheres em caráter e costumes, natural era que também os meninos se diferenciassem consideravelmente. Venceslau era piedoso e manso; Bolesláu, pelo contrário, violento e ímpio. Drahomira apoderou-se do governo e encetou cruel perseguição aos cristãos. Decretou a expulsão dos sacerdotes, depôs as autoridades cristãs, substituindo-as por outras pagãs, de que os cristãos nada podiam esperar senão chicanas e injustiças.

Um governo deste jaez não podia gozar de popularidade e, portanto, ser de longa duração. Os representantes das províncias fizeram pacto comum, declararam deposta a Rainha e elevaram ao trono Venceslau, a quem prestaram homenagens. Drahomira escumava de raiva e, quando viu que Venceslau, aconselhado pela avó, ia restaurar o Cristianismo no reino todo, jurou tirar desforra. Assalariou uns assassinos, que estrangularam Ludmila com o próprio véu, quando estava na igreja rezando. Não satisfeita com isso, a megera ainda jurou livrar-se também de Venceslau.

O duque reinou com tanta justiça e ao mesmo tempo com tanta brandura, que em pouco tempo se tornou o ídolo do povo. Na viela particular era irrepreensível. O mundo cristão conhece poucos exemplos da virtude da caridade como S. Venceslau os deu. Era amigo e protetor dos pobres, doentes e encarcerados; para as viúvas e órfãos um verdadeiro pai. Nas horas silenciosas da noite visitava os presos, consolava-os e dava-lhes esmolas. Aos doentes dava tudo que pediam. Sabe-se que ele mesmo em pessoa se encarregava de levar lenha às casas de famílias pobres. Era casto e puro e conservou a pureza do coração até à morte.

Às práticas de piedade consagravam muitas horas. Alta noite, mesmo na estação do inverno, ia descalço visitar as igrejas. Aos sacerdotes tratava com muito respeito e não tolerava que fossem desacatados por palavra ou obra.

Muitas vezes faltando o acólito, ele mesmo ajudava à missa. Grande era a devoção que tinha ao santo sacrifício da Missa, à qual assistia diariamente. Ele mesmo semeava o trigo, moía a farinha e fazia as hóstias. O vinho de Missa era feito sob sua vigilância e fiscalização. Numa palavra Venceslau, como Príncipe, governava com prudência e justiça e ornou o trono pela santidade de sua vida.

O duque Radisláu, não querendo concordar com o governo de Venceslau, organizou contra ele uma revolução pôs-se à frente de um exército. Venceslau mandou-lhe embaixadores, propondo-lhe condições vantajosas, com o fim de evitar um conflito. Radisláu recusou receber os embaixadores e acoimou de fraqueza e cobardia a oferta de Venceslau. Desta arte se tornava inevitável a luta e Venceslau mobilizou as tropas. Estavam os dois exércitos frente a frente, esperando o sinal do ataque, quando Venceslau, movido de compaixão por tantos súditos, que inocentemente haviam de derramar o sangue no campo de batalha, propôs a Radisláu o duelo, que este aceitou. A vitória seria daqueles cujo chefe saísse vitorioso do duelo.

A hora marcada compareceram os dois adversários, montados em soberbos ginetes, vestidos de luzentes armaduras; Radisláu armado de lança e escudo, Venceslau apenas de escudo e espada. Mal o clarim tinha dado o sinal de atacar, Radisláu, de lança em riste investiu com grande ímpeto contra o adversário, procurando derruba-lo na areia. Venceslau, antes de se arremessar contra o inimigo, fez o sinal da cruz e eis que se deu um fato admirável. No momento em que a lança de Radisláu ia ferir Venceslau, apareceram ao lado destes dois Anjos e ouviu-se o brado imperioso: “Pára!” Como tocado pelo raio, Radisláu caiu do cavalo e, mudado interiormente, dirigiu-se a Venceslau e, prostrado diante de seu Senhor, pediu perdão, prometendo obediência e submissão. Venceslau foi a Worms, para tomar parte na Diéta convocada pelo imperador Othão I. Este o recebeu com honras extraordinárias, conferiu-lhe o título de Rei e deu-lhe de presente um braço do mártir S. Vito. De volta à sua terra, Venceslau continuou no modo de vida primitivo.

Quanto mais o povo o amava, honrava e festejava, não só pela grande santidade, mas ainda pela nova dignidade de Rei que lhe tinha sido conferida, tanto mais crescia o ódio nos corações de Drahomira e Bolesláu. Isto não podia passar desapercebido a Venceslau, que tomou a resolução de abdicar. Drahomira, porém, não quis esperar pelo momento da abdicação espontânea.

A esposa de Bolesláu dará à luz um filho. Ao batismo foi convidado também Venceslau. Tinha estes bastantes motivos que o fizessem desconfiar da existência de planos secretos. Ainda assim e para não parecer que tinha desconfiança do irmão, aceitou o convite, mas antes de se dirigir ao castelo de Bocesláu, recebeu os santos Sacramentos da Penitência, e Eucaristia. A recepção cordialíssima e o tratamento atencioso que teve, não deixaram suspeitar qualquer falsidade da parte dos parentes.

Como o banquete se prolongasse demasiadamente, Venceslau, sem que tivesse dado na vista, retirou-se da mesa e procurou a capela. Mas, à mãe, Drahomira, apercebendo-lhe a retirada, chamou de lado a Boscesláu e segredou-lhe, ao ouvido o plano satânico, que consistia em nada menos senão fazer desaparecer o santo Rei, visto ser propícia a ocasião. Não eram precisos muitos argumentos para conseguir isso do irmão desnaturado. Acompanhado de uns bandidos dignos dele, dirigiu-se à capela, onde Venceslau se achava em oração. Sem dizer palavra, precipitou-se sobre o irmão e cravou-lhe uma espada no peito. A vingança de Deus não tardou. Drahomira teve uma morte trágica, poucos dias depois. Boscesláu teve de responder ao tribunal do Imperador Othão I e aceitar a sentença da justiça.

O assassinato de Venceslau teve lugar no dia 28 de Setembro de 936.

REFLEXÕES

De S. Venceslau o cristão pode aprender o respeito à santa Missa. Embora ocupadíssimo com os negócios do governo do país, S. Venceslau achava sempre tempo para assistir ao santo sacrifício e com tanta devoção fazia as orações, que edificava a todos. Muitos cristãos também teriam facilidade de ouvir Missa em dias de semana, se quisessem fazer um pequeno sacrifício. É mais fácil sacrificarem horas e dinheiro para ir ao cinema, do que se resolverem a levantar um pouco mais cedo para poder assistir à santa Missa. Oxalá todos se convencessem de que nada se perde com o que se dá a Deus; oxalá quisessem compreender que o tempo de meia hora que se oferece a Deus, traz grandes bênçãos para os trabalhos e sofrimentos.

Outra coisa que o exemplo de S. Venceslau ensina, é o respeito aos sacerdotes. O sacerdote não é um homem qualquer. É o representante de Deus, seu mensageiro, mandado para ensinar-nos a vontade divina. O sacerdote é o administrador dos Sacramentos. Nenhum Sacramento podemos receber a não ser pelas mãos do sacerdote. Quem desrespeita o representante de uma nação, ofende tanto a este, como ao país de que é enviado. Assim o desrespeito dirigido ao sacerdote fere diretamente a Deus e provoca-lhe a vingança. Se aqueles que maldizem ao sacerdote quisessem dar-se à pena de examinar o estado da própria alma muito melhor certamente achariam calar-se e não mais difamar e caluniar os ungidos do Senhor. Quem desrespeita o sacerdote, atrai sobre si a ira e a maldição de Deus.

Na Luz Perpétua, Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus para todos dos dias do ano, apresentadas ao povo cristão por João Batista Lehmann, Sacerdote da Congregação do Verbo Divino, Volume II, 1935.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico