Todo o homem nasce pecador. Em nossos primeiros pais elevou Deus a humanidade inteira à ordem sobrenatural, adornando-os de sublimes graças e virtudes. Neles a concupiscência estava inteiramente sujeita á razão. Si perseverassem no bem, não sofreriam doenças nem a morte. Todos estes preciosos dons se transmitiriam aos seus descendentes, se saíssem vitoriosos da prova a que Deus os sujeitou.
Mas desgraçadamente não sucedeu assim. “Por inveja do demônio” vieram ao mundo o pecado e a morte. Em figura de serpente, apareceu a Eva o demônio e lhe disse : “Se comerdes do fruto proibido, não só não morrereis, mas abrir-se-vos-ão os olhos e sereis como deuses”. Eva caiu na tentação e foi ainda tentar Adão.
“Levado pela soberba”, diz S. Agostinho, “o homem seguiu as sedutoras palavras da serpente, e desprezou os divinos mandatos .
O pecado de Adão, pai do gênero humano, contaminou toda a sua descendência, como o declarou o Concilio de Trento por estas palavras: “Se alguém afirmar que Adão, pecando, não prejudicou os seus descendentes …ou que, perdida a graça pela desobediência, só transmitiu ao gênero humano a morte e os castigos do corpo, e não o pecado, que é a morte da alma, seja anátema, pois vai contra o que diz o Apóstolo : “Por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, e assim passou a morte a todos os homens por um só, no qual todos pecaram .”
Por conseguinte toda a descendência de Adão – exceto a Imaculada Mãe de Deus – entrou no mundo pecadora. Todos nós somos “por natureza filhos da ira” e escravos de Satanás.
Pelo que de nós depende, seríamos excluídos do céu; não nos salvaríamos se o Divino Redentor se não compadecesse de nós. Este pensamento é muito útil para abater o orgulho e praticar a humildade. “Mas Deus, que é rico em misericórdia, pela extrema caridade com que nos amou estando nós mortos pelo pecado, nos deu vida juntamente em Cristo (por cuja graça sois salvos)”. O Filho eterno do Altíssimo baixou à terra em forma humana, e reconciliou-nos com Deus por meio da sua paixão e morte. O batismo fez-nos filhos adotivos e herdeiros do reino dos Céus. A quem devemos tão assinalado beneficio ? Não aos nossos méritos mas à compaixão gratuita de Deus.
(in A Humildade Cristã – Por Victor Cathrein, S.J., 1925)
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico