A castidade
Ó Jesus, lírio puríssimo, amante das virgens, fazei-me compreender a beleza da castidade perfeita.
1 – “Não sabeis que sois templos de Deus e que o espírito de Deus habita em vós? Se alguém violar o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque é santo o templo de Deus que vós sois” (I Cor. 3, 16 e 17).
A graça do batismo consagrou o corpo do cristão, fazendo-o templo de Deus vivo e membro de Cristo. Daqui a obrigação de respeitar este corpo, obrigação que exige de todo o cristão a virtude da castidade, praticada segundo o seu estado. O pecado impuro profana o corpo, templo de Deus e faz dos membros de Cristo “membros de uma prostituta” (I Cor. 6, 15).
Fora do matrimônio, a continência absoluta, ou seja, a abstenção de todo o prazer sensual, é exigida a todos indistintamente; no matrimônio requere-se a castidade conjugal que limita o prazer ao próprio fim do matrimônio. tal como a pobreza liberta da escravidão dos bens terrenos e regula o seu uso, assim a castidade liberta da escravidão dos sentidos e modera o seu uso.
Por isso, a virtude da castidade não está reservada às almas consagradas a Deus, mas é um sério dever para todo o cristão; e não basta a castidade do corpo, é necessária também a castidade dos pensamentos, dos desejos, do coração, porque Jesus disse: “as coisas que vêm do coração é que mancham o homem. Do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios” (Mt. 15, 18 e 19).
Para ser casto de corpo é pois necessário ser casto de coração. Jesus, inculcou-os insistentemente esta pureza interior: “O teu olho é a lucerna do teu corpo. Se o teu olho for são todo o teu corpo será luz. Mas se o teu olho for defeituosos, todo o teu corpo estará em trevas” (Mt. 6, 22 e 23).
2 – “O que está sem mulher, está cuidadoso das coisas que são do Senhor, como há de agradar a Deus… E a virgem cuida das coisas que são do Senhor, para ser santa no corpo e no espírito” (I Cor. 7, 32 e 34).
A castidade perfeita, escolhida como estado de vida e abraçada como voto, livra de todos os cuidados e preocupações inevitáveis da vida conjugal e que dividem o coração entre Deus e os afetos humanos.
Jesus disse haver alguns que renunciam a formar uma família “por amor do reino dos Céus” (Mt. 19, 12). O valor essencial do voto de castidade consiste precisamente nesta renúncia que a criatura se impõe livremente para se dar a Deus por completo, alma e corpo, coração e espírito: tudo é reservado e consagrado a Ele só.
Quem se une em matrimônio, torna-se colaborador de Deus na transmissão da vida natural a outros seres; e quem, mediante o voto de castidade se consagra ao Senhor, torna-se Seu colaborador na comunicação da vida da graça aos homens. A pessoa consagrada a Deus renuncia à fecundidade material em vista de outra fecundidade muito superior: a espiritual. A paternidade ou maternidade sobrenatural. Santa Teresa do Menino Jesus exprimia desta maneira a sua vocação ao Carmelo: “Ser Vossa esposa, ó Jesus, ser, pela união conVosco, mãe das almas!” (M.B. pg. 230).
Esta é a fecundidade das almas virgens, “casta geração”, que Jesus chama à renúncia total dos prazeres lícitos do matrimônio, para fazer delas os Seus mais íntimos colaboradores na obra da redenção e santificação do mundo. O voto de castidade não encerra as almas numa vida estéril, mas, unindo-as totalmente a Deus, abre-lhes a sublime fecundidade do apostolado. “A virgindade perpétua é uma hóstia pura oferecida a Deus, uma vítima santa; é uma flor que traz honra e alegria á Igreja e é uma grande fonte de força” (Pio XII, Aloc. Set. 1951).
Colóquio – “Ó Senhor, toda a minha esperança esta fundada na Vossa misericórdia. Dai-me o que me ordenais e ordenai-me o que quiserdes. Ordenastes-me a continência. Alguém afirmou que não se pode ser casto sem o dom de Deus; mas é já sabedoria o saber de quem provém este dom. A continência recolhe-nos e reduz-nos àquela unidade da qual nos afastamos por nos termos dado a muitas cosias. Pouco Vos ama aquele que, ao mesmo tempo, ama outra criatura sem ser por Vós. Ó amor que sempre ardeis e nunca vos extinguis! Ó caridade, ó meu Deus, inflamai-me! Ordenais-me a continência: dai-me o que me ordenais e ordenais-me o que quiserdes” (Sto Agostinho).
Ó Jesus, fazei-me compreender claramente que para o homem não há maior honra do que aquela que lhe fazeis quando, livrando-o das “tribulações da carne” (I Cor. 7, 28), o convidais a dar-se totalmente a Vós pelo vínculo da castidade perfeita. Ó vínculo santo que unes a Deus, pureza infinita, uma criatura saída da lama, e a elevas tão alto que a fazes participar do esplendor imaculado da virgindade divina. ó vínculo santo, que estabeleces uma união indissolúvel entre Deus e o homem, e apresentas as almas “como virgens puras a um único esposo, Cristo” (cfr. II Cor. 11, 2) a fim de que sejam Suas esposas na fé e no amor.
Ó Jesus, Esposo das almas virgens, Vós que dissestes: “Nem todos compreendem esta palavra, mas somente aqueles a quem foi concedido” (Mt. 19, 11), fazei-me compreender cada vez melhor o valor imenso da castidade perfeita. Que dom mais sublime poderia pedir-Vos eu, e poderíeis Vós dar-me?
Ó Jesus, que, chamando-me à castidade perfeita, me livrastes dos cuidados da família e dos afetos terrenos, fazei que eu não me encerre egoistamente em mim mesmo, mas que partilhe conVosco, do modo mais direto e intenso, as Vossas solicitudes, a Vossa vida de imolação e sacrifício pela salvação dos homens e pela glória do Pai. Vós que quereis virgem porque me chamais a ser Vosso íntimo colaborador na sublime obra da Redenção, e na medida em que me der a Vós com dedicação generosa e plena, me concedereis o dom da fecundidade espiritual. ò Jesus, estreitai os vínculos da minha união convosco para que, por meio dela, eu me torne capaz de gerar muitas almas para o Vosso amor e para a Vossa graça!
Intimidade Divina, Meditações Sobre a Vida Interior Para Todos os Dias do Ano, P. Gabriel de Sta M. Madalena O.C.D. 1952.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico