Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
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CAtólico

A Paixão do Senhor: A crucificação

Chegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram (Lc 23, 33). Nenhum evangelista narra o modo como foi crucificado, devemos pensar que foi conforme os romanos crucificavam normalmente.

Como sabemos, era sexta-feira o dia que foi crucificado e morto. Com sua Paixão reparava o pecado de Adão que nos tinha entregue à morte. Adão foi criado no penúltimo dia, o sexto dia como narra o Gênesis. Deus quis reparar o homem no mesmo dia em que foi criado. Por isso, diz São Gregório, uma árvore se opôs a outra árvore, umas mãos se opuseram as outras mãos. Adão pecou junto da árvore proibida, Jesus redimiu-nos na árvore da cruz. As mãos de Jesus estenderam-se com fortaleza contra as mãos que, por fraqueza e soberba, se estenderam para colher o fruto proibido. As mãos de Jesus cravadas formam oposição às mãos que buscaram o pecado.

Quanto à crucificação, era quase à hora sexta (Lc 23, 44), que correspondia ao meio-dia. Costumava-se dividir o dia, em quatro períodos de três horas, e contar a primeira hora a partir do amanhecer. A noite era separada por vigílias. São Marcos diz: hora terceira, que indica depois das onze. São João relata: cerca da hora sexta. São Lucas: quase à hora sexta. Embora possa parecer uma contradição, todos concordam que por volta do meio-dia Jesus estava cravado na cruz.

A madeira da cruz era tosca e não aplainada. O mesmo tipo de cruz comum a todos os condenados, tanto que Santa Helena, mãe do imperador Constantino, quando foi em busca na Terra Santa, encontrou três cruzes e foi necessário um milagre para distinguir a verdadeira. (17) Alguns pensam que a forma é a que habitualmente estamos acostumados a ver. Outros pensam que era uma árvore com todos os ramos cortados, exceto os dois mais verticais; esta opinião é somente um desejo piedoso de querer comparar a cruz a uma árvore, como se Cristo fosse um precioso fruto. A Igreja canta em sua liturgia:

Ó cruz fiel, árvore entre todas a mais nobre; Nenhum bosque tal produz, em folhagem, flor e fruto.

Também a metáfora compara o pecado de Adão, que estendeu a mão para a árvore proibida. Assim, canta um hino da Igreja:

O supremo Fazedor, compadecido do engano do homem, que na nociva maçã deu a mordida da morte, Ele mesmo designou o lenho, que apagasse o pecado da árvore.

Há ainda outros que imaginam a cruz de várias formas. O mais provável é que a cruz tivesse uma trave horizontal, que foi a que o Senhor carregou pelas ruas. Também havia uma tábua em que se escrevia o crime cometido.

O Senhor foi pregado na cruz com cravos, isto se nota pela frase de Tomé: Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei! (Jo 20, 25). Quanto ao número de cravos, uns pensam em três: um em cada mão e apenas um nos dois pés; outros dizem quatro, sendo um prego para cada pé.

Há um silêncio também dos evangelista sobre a coroa de espinhos. Não dizem se foi tirada e depois colocada novamente ou se permaneceu direto sobre a cabeça.

Sobre o modo de crucificar: alguns imaginam que foi cravado no solo e depois com cordas levantaram a cruz; outros que foi amarrado com a cruz já erguida e o crucificaram no alto à vista de todos.

A segunda suposição é mais plausível, pois se encaixa mais com o costume romano e corresponde a um apelo maior para o divertimento do povo. Também a Igreja canta: Senhor Jesus Cristo, que à hora sexta, pela redenção do mundo subiste ao patíbulo da cruz. Além disso, “ao descer o corpo”, parece indicar que a cruz ficou em pé.

Uma outra hipótese: Todos os conhecidos estavam afastados a certa distância da cruz; para que todos pudessem presenciar o espetáculo, era necessário cravar os pregos com Jesus já levantado na cruz.

A Paixão do Senhor, Luis de La Palma, 1624.

(17) No ano de 326, Santa Helena teria encontrado a inscrição da cruz numa gruta, ao lado do sepulcro. Dividiu-a em três partes. Enviou uma parte ao seu filho em Constantinopla, outra parte foi enviada para Roma e a terceira parte ficou em Jerusalém. Talvez deste fato tenha nascido o episódio.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico