Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
Escola da Alemanha do Sul, por volta de 1600, Cena da crucificação [Croped], anteriormente propriedade dos Condes de Attems, Graz, Domínio Público, Wikimedia Commons

A Paixão do Senhor: Hoje estarás comigo no paraíso

Entre as pessoas que foram tocadas pela oração de Jesus, estava um dos crucificados ao seu lado. Pelas palavras dirigidas a Jesus notamos que os dois eram judeus. E os ladrões, crucificados com ele, também o ultrajavam (Mt 27, 44). A princípio os dois o insultavam. Mesmo sofrendo a mesma pena de Jesus, não eram compassivos.

Enfurecido pela tortura que recebia e impaciente com todos aqueles gritos e escárnios, um dos malfeitores blasfemava contra ele: Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós (Lc 23, 39). Agora é a ocasião para demonstrar o que diz ser! Salve-nos e si deles! Como é um mentiroso, não há esperança para nós.

O ladrão insultava Jesus, esquecendo-se de que realmente era um criminoso e merecia punição. O outro ladrão escutou tudo e notou a paciência e dignidade com que Jesus rogava ao Pai pedindo perdão para todos, movido pelo Espírito Santo compreendeu que, além de inocente, ele era verdadeiramente o Rei de Israel.

Confiou que poderia ser salvo, mas não da maneira que seu companheiro tentava. Por isso repreendeu-lhe: Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício? Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum (Lc 23, 40-41).

O Senhor na cruz iluminou com a verdade um dos companheiros de suplício. O outro que foi repreendido, agora talvez pudesse abrir-se para a salvação.

O venturoso ladrão, depois de ter reconhecido os próprios pecados e aceitar o castigo, mostrou ao companheiro onde estava a verdade. Então virou o rosto e disse: Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino! (Lc 23, 42).

Com toda simplicidade reconheceu Jesus como Rei e acreditou na ressurreição de uma maneira maravilhosa. Chamando pelo nome, não pedia mais nada para esta vida, somente o perdão e a vida eterna. Sentindo-se indigno, disse: Lembra-te de mim.

Vendo Jesus padecer ao seu lado, escutando todas as acusações que os sacerdotes lançavam, tudo levava a pensar que Jesus tinha crimes iguais aos seus ou até piores. A força da graça e a luz do céu foram abundantes, pois mesmo nestas circunstâncias acreditou em Jesus. Ninguém falava bem do Senhor, o sol ainda não tinha escurecido e a terra também não havia tremido. Não foram os acontecimentos que o moveram a crer, mas a força da cruz.

Viu Jesus padecer na cruz e acreditou nele como o Senhor do universo, acreditou no reino celestial e pediu o céu.

Emocionado, o Senhor escutou no meio de tanta zombaria e insultos, aquela voz que o reconhecia como Deus. Vinha de um ladrão que, mesmo estando Deus tão oculto, soube confessar em alta voz. Declarando a verdade ao outro ladrão, podemos dizer que foi o primeiro apostolado de fato. Como reconhecia a divindade e o defendia, dizendo que era santo e inocente, o Senhor concedeu muito mais do que pedia.

O Senhor alegrou-se pelo primeiro fruto do sangue derramado. A primeira conversão de um pecador, que imediatamente se fazia apóstolo. Como Sacerdote concedeu perdão, como Rei deu a riqueza: Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso (Lc 23, 43).

A Paixão do Senhor, Luis de La Palma, 1624.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico