Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
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Vrancke van der Stockt, Tríptico da Redenção - a crucificação, Ca. 1450, Museu do Prado (Domínio Público / Wikimedia Commons)

A Paixão do Senhor: A Virgem Maria se aproxima da cruz

Os amigos de Jesus, como também as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia, conservavam-se a certa distância, e observavam (Lc 23, 49). Também a Virgem Maria tinha seguido Jesus até o Calvário, estava um pouco afastada, porque a multidão e os soldados não a deixavam se aproximar.

Depois de crucificarem Jesus e os dois ladrões, o povo começou a ficar cansado de tanto gritar e blasfemar, havia escurecido e começaram a retirar-se. Aproveitando a oportunidade a Virgem Maria se aproximou da cruz e as mulheres foram juntas. Corajosas mulheres! Vinham da Galiléia, tinham deixado as casas para servir e ajudar no que pudessem; ali estavam presentes com firmeza, ao contrário dos apóstolos que estavam com medo e escondidos.

Havia algumas mais conhecidas, pois eram mães de apóstolos e parentes da Virgem Santíssima. Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena (Jo 19, 25). Estava também, Salomé, mãe dos filhos de Zebedeu. A mulher de Cléofas era mãe de Tiago menor e de José, que eram parentes de Jesus por ambos os lados, porque Cléofas, conhecido também por Alfeu era irmão de São José, esposo da Virgem.

José, irmão de Tiago menor, foi quem entrou no sorteio com Matias, para saber qual seria o substituto de Judas (Cf. At 1, 23). Parece que a “outra Maria” era mãe também de Simão Cananeu e de Judas Tadeu, portanto eram irmãos de Tiago e de José. Assim eram chamados pelos habitantes de Nazaré: Não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? ( Mt 13, 5 5).(21)

Pela amizade, desde a Galiléia, sabiam que era o momento crucial , por esta razão não se afastavam da Virgem Maria, acompanhando-a em todos os lugares, especialmente a este que trazia tanta amargura e dor.

Que fortaleza e constância! O Filho morria e a Mãe não temia a morte; o Filho cravado na cruz e a Mãe de pé, junto dela; o Filho padecia e a Mãe apresentava-se corajosamente diante dos perseguidores; o Filho dava a vida e a Mãe estava disposta a perder a sua. O mundo estava em trevas e ela iluminada. No meio do mar tempestuoso, a Virgem Maria governada pelo Espírito Santo seguia o rumo sem desviar da vontade de Deus.

No meio de tanta força, a Virgem Maria chorava por aquele tormento tão cruel. Não podemos alcançar o tamanho da dor, porque a medida da dor é o amor e a Virgem amava com um amor maior do que uma mãe ama seu filho.

Ao levantar os olhos e ver o filho, desejava estar no lugar dele; não podia defendê-lo dos ataques, não podia cobrir sua nudez, não podia saciar sua sede, não podia limpar o sangue de seu corpo e não podia beijá-lo. Escutava todos os insultos e permanecia quieta; cumpriu plenamente com aquilo que tinha concordado: aceitar a vontade de Deus.

Ninguém pode entender plenamente a profundidade do mistério, a não ser a Virgem Maria que é a “bem-aventurada entre todas as mulheres”, a “cheia de graça”.

E uma espada transpassará a tua alma (Lc 2, 35), o coração de Maria ficou ferido com as mesmas chagas do corpo de Jesus. O corpo e o rosto desfigurados, a cabeça atravessada de espinhos e os pés e as mãos perfurados; o coração de Maria estava ali presente.

Junto à cruz de Jesus estava de pé sua mãe. Permanecia firme de pé, dando força com seu a mor. Pensava naquele menino que tinha dado à luz com tanta alegria; que havia ensinado, cuidado e visto crescer; lembrava quando partiu para divulgar a doutrina da salvação. Recordava que tinha escutado tantas coisas naquelas conversas e agora presenciava sua morte; não em sua casa ou em seus braços, mas numa cruz, todo castigado como um blasfemo.

No meio de tanta gritaria, com os carrascos e o povo furiosos ofendendo Jesus, Maria venceu pela fé e obediência; seria a consolação para todos que aceitassem a cruz.

A Paixão do Senhor, Luis de La Palma, 1624.

(21) Fica evidente que os “irmãos de Jesus” eram na realidade primos. A língua semítica era pobre em vocábulos, o termo irmão pode significar filhos, primos e parentes distantes. Vários textos do Antigo Testamento confirmam: Gn 13, 8; Gn 2g , 12 – 15 ; 1Cr 23, 21- 23; 2 Rs 36, lO; Jz 9, 3; 15m 20, 29; Tb 5, 9; Ct 4, 9. . .

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico