Devemos meditar longamente no duro suplício que sofreu o Nosso Senhor na cruz. Esteve por três horas pendurado, o peso do corpo fazia abrir as feridas em seus pés e em suas mãos, para aliviar as câimbras e poder respirar ora se apoiava nos pés ora nos braços. O Senhor não procurava aliviar a dor, pois tinha se entregado livremente para sofrer em nosso lugar. Além disso, sua debilidade física era tamanha que não havia alívio nenhum.
Quando escureceu e todos começaram a sair assustados, ficou silencioso e calmo. Pode o Senhor neste momento ver a cada um de nós, no fundo de nossa alma. Compadeceu-se e rasgou o papel da sentença que nos condenava, cravou-o na cruz e apagou o que estava escrito com seu sangue. Conseguiu de Deus toda a graça para que nos fizéssemos santos.
Não devemos pensar que se ofereceu por todos de uma maneira geral. Quando estava na cruz se ofereceu por cada um em particular, amou a cada um, morreu como se fosse para salvar apenas uma pessoa que estivesse sozinha no mundo. Viu cada um de nossos pecados e isso afligia de modo profundo seu Sagrado Coração. Rezou ao Pai e suplicou para que cada pecado fosse perdoado.
Bendita hora que estávamos no Calvário. Não estávamos muito perto nem muito longe, estávamos na própria cruz, no coração de Nosso Redentor. Abraçava-nos com seu amor e se oferecia ao Pai.
Eterno Pai, já que desejou e mandou seu amado Filho para pagar pelas nossas culpas, veja que o pagamento pelas nossas dívidas foi altíssimo. Permita que fiquemos livres, pois o fiador foi demasiadamente castigado. Veja, Senhor quem pagou pelos nossos pecados foi seu Filho e pagou com seu sangue.
A Paixão do Senhor, Luis de La Palma, 1624.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico