Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
A Primeira Confissão de Hermann von Kaulbach (Domínio Público / Wikimedia Commons)

Bênçãos que encerra a Confissão

Se confessarmos os nossos pecados, Deus é justo e fiel para no-los perdoar e para nos purificar de toda a maldade. (1 Joan. 1, 9).

A confissão além de necessária, é também sumamente consoladora.

Com efeito, como não há de aliviar grandemente o coração, encontrarmos uma amigo, ao qual possamos confiar a pena oculta que nos magoa? E que será, quando semelhante declaração é um meio infalível para curar as feridas do coração?

Os teus pecados são-te perdoados: que bálsamo tão suave derramam na alma estas palavras, e como elas fazem renascer no coração a paz e a consolação, e como lhe restituem os momentos felizes da inocência perdida!

Vinde a mim todos os que estais aflitos e sobrecarregados [1].

Jesus, que nos está chamando por estas palavras, tem consolações para todas as nossas tristezas.

O mundo só se sente bem com os que riem, com os amantes do ruído e das diversões estrepitosas. Mas Jesus chama os tristes e os aflitos; basta uma palavra da sua boca para curar todas as chagas e calmar todas as dores.

Além de curar a alma e de lhe restituir a paz, a confissão preserva-a também de novas quedas.

A vergonha que o pecador experimenta ao confessar-se, basta para lhe produzir no espírito um efeito salutar, que o leva a não querer renovar uma causa que a há de produzir de novo.

A confissão infunde luz na alma.

É nela que se lança o fundamento das virtudes, principalmente da humildade. Que humilhação tão salutar é o exame de consciência, a acusação própria, a aceitação da sentença absolutória ou condenatória!

Nela calam-se as paixões e a sua aparência deslumbrante; cala-se o mundo com todos os seus enganos; calam-se os falsos amigos com todas as suas lisonjas; e ao amor próprio com todos os artifícios de que se costuma revestir para nos enganar; ali só fala Deus, a verdade e a graça.

Nela cai a venda dos olhos à alma, desvanecendo-se as preocupações com que se defendem as más consciências, e brilha com maior resplendor a luz da fé.

A confissão finalmente dá força.

Nela rompe-se o jugo do pecado e caem as cadeias das paixões, renasce na alma o amor e a confiança, e a vontade recobra a sua liberdade. Até os inimigos exteriores, ocasiões do pecado, falsas amizades, companhias perigosas, que ameaçam a cada momento roubar-nos a liberdade conquistada, até esses retrocedem.

A nossa alma foi, como a avezinha, liberta dos laços do caçador; quebraram-se estes e nós recuperamos a liberdade [2].

Mas a confissão traz consigo outras bênçãos: por meio dela restituem-se os bens injustamente adquiridos, reparam-se as injúrias, reconciliam-se os inimigos, desaparecem os escândalos, protegem-se os bens, a honra e a inocência. Ao seio da família leva a felicidade, a ordem, a paz, o amor; ao Estado a segurança. A concórdia e a submissão; e de todos os homens faz uma família de penitentes, como é justo que sejam os descendentes de Adão e Eva.

Oh instituição salutar! Oh tesouro de bens inefáveis! Com que santo zelo mereces ser estimada e aproveitado!

A Virgem Prudente, Pensamentos e Conselhos acomodados às Jovens Cristãs, por A. De Doss, S.J. versão de A. Cardoso, 1933.

[1] Mat. XI, 28.
[2] Salm. CXXIII, 7.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico