A UNIÃO LIVRE
P. – Que é a união livre, preconizada pelos romances de agora, e proclamada nos palcos dos teatros?
R. – D’um modo geral, é a união vergonhosa do homem e da mulher, contraída hoje por um desejo, e que um simples capricho poderá destruir amanhã.
P. – E chama-se união livre, porquê?
R. – Porque os contraentes não querem unir-se nem pelo laço indestrutível do casamento religioso, nem sequer pelo laço frágil do casamento puramente civil. Querem entregar-se, a maior parte das vezes, em plena liberdade, às fantasias d’um instinto todo bestial, ou cedem aos fortes impulsos d’uma afeição sincera, mas cega, que uma razão esclarecida, iluminada pela fé, não poderia aprovar.
P. – É raro, no nosso tempo, esse crime da união livre?
R. – Infelizmente não. Tem produzido os seus frutos o ensino dos romances e as lições do teatro. A união livre está entrando, cada vez mais, nos costumes. É sobretudo nas grandes cidades que se desenvolve semelhante flagelo.
P. – Pratica-se esse crime em todas as classes sociais?
R. – Produz numerosas vítimas nos meios operários e também entre os jovens, filhos, famílias, que as lamentáveis exigências dos costumes da época, dos estudos, da posição, afastam do casamento, precisamente na época em que as paixões fortes o tornariam mais necessário.
P. – Qual é o dever dos pais, nesse período crítico da vida de seus filhos?
R. – Devem empenhar-se seriamente em se não separarem dos filhos, para exercerem sobre eles a vigilância indispensável. Se forem obrigados a essa separação, devem escolher, na cidade em que eles vão residir, uma pessoa de toda a confiança, amigo provado, parente ou sacerdote, que vele por eles a sério. Dar-lhe-ão apenas o dinheiro estritamente necessário, exigindo-lhe contas do seu emprego. Os pais previdentes farão ainda mais, e melhor. Formarão desde muito cedo a consciência do filho, temperando-lhe o caráter para as lutas futuras. Iniciá-lo-ão nas obras de apostolado religioso e social, que hão de ser o melhor dorivativo das solicitações do mal. E, sobretudo, esforçar-se-ão porque, logo depois da Primeira Comunhão, ele se habitue à frequência assídua dos Sacramentos, hábito indispensável a todo o jovem que deseje conservar-se casto.
P. – Qual deve ser a conduta dos pais cujos filhos, já homens, e tendo obtido, após longos estudos e trabalhos, o lugar desejado, ou o diploma ambicionado, lhes dizem “não quererem casar”?
R. – Devem precaver-se contra essa má vontade pelo casamento, a não ser que a falta de saúde os leva a tal, ou que excepcionais manifestações de piedade pareçam indicar que eles estão destinados à falange privilegiada dos castos. Devem recear que semelhante relutância não tenha por motivo a inclinação para uma vida angélica, mas um outro, muito diverso. Devem recordar-se de que, regra geral (que tem exceções), e a menos que se não trate de casos de piedade exemplar, a raça dos velhos rapazes é uma raça detestável. E devem recear que seus filhos recusem casar-se com o fim oculto de gozar de prazeres vergonhosos da união livre.
EXTRATO
A união livre é um regresso à animalidade. – O animal conhece o amor-instinto, e não o amor-sentimento. O mesmo se dá com o partidário da união livre. Esse só obedece ao apetite carnal, assemelha-se aos brutos; só se lhe pode dizer que não é um homem, e apenas conhece o amor da besta.
O homem abandona a sua companheira. Cega e frágil, a sua paixão dissipa-se, uma vez satisfeita. O mesmo acontece ao partidário da união livre. Não lhe faleis de juramentos eternos. Só procura, semelhantemente aos brutos, voluptuosidades momentâneas e sucessivas… A união livre rebaixa o homem à condição do animal.
E é a própria negação da família. – Belo ideal a realizar! Excelente aquisição para a sociedade, não há dúvida, a desses pares de união livre, despedaçados d’um momento para o outro pelo choque das vontades, e deixando os filhos ao abandono, para o Estado se encarregar deles e os educar sem Deus, sem pais, sem irmãos nem irmãs, deixando o velho, ao cabo da existência, desprezado como uma palha, prisioneiro sombrio numa Salpêtriére qualquer. Uma vergonha a união livre! É a animalidade no vício, na promiscuidade e na miséria. (Mgr. GIBIER, obra citada).
Catecismo do Matrimônio por P. Joseph Hoppenot, S. J., Obra aprovada por 48 cardeais, arcebispos e bispos de França e Bélgica, 1928.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico
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