Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico

Como pode o Corpo de Jesus Cristo estar realmente presente na Eucaristia?

Não tenho mais que uma coisa a responder-vos, mas essa basta.

Está; logo, é possível.

Está; logo, assim o deveis crer, bem que não compreendais como isto se possa obrar.

Digo pois que está, que Jesus Cristo está verdadeira e substancialmente presente na Santa Eucaristia e que depois da consagração da Missa, não há já pão sobre o altar, nem entre as mãos do Sacerdote, mas o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo vivo, oculto debaixo das símplices aparências do pão e do vinho.

Não mostrarei, para vos convencer, todos os séculos cristãos, desde os Apóstolos até aos nossos dias, crendo, adorando e proclamando altamente esta presença real de Jesus Cristo no Sacramento da Eucaristia. Por certo, não seria de pouco vulto ver os maiores engenhos, os mais profundos e sábios doutores adorar com a mais inteira fé o sagrado mistério do altar…

Mas, além disto nos levar a mui logos desenvolvimentos, não desejo fazer desta matéria mais que um negócio de boa fé; é pois a ela só que eu me dirijo, e não quero senão citar-vos aqui textualmente e quase sem comentários, as próprias palavras de Jesus Cristo, que declara que a Eucaristia é Ele mesmo, o seu Corpo, a sua Carne e o seu Sangue.

Fala duas vezes da Eucaristia no Evangelho: a primeira vez, para a prometer (coisa de um ano antes da sua Paixão); a segunda vez (véspera da Sua Paixão) para a instituir e cumprir deste modo a Sua promessa.

1º – As primeiras palavras acham-se em São João, capítulo 6º; ei-las aqui; proponho-as ao vosso bom senso:

“Em verdade vos digo, que aquele que CRÊ em mim tem a vida eterna”. Primeiro exige a fé para a Sua palavra; porque o que vai dizer é o mistério mais profundo da fé.

“Eu sou o pão da vida”.

“Eu sou o pão descido do céu. Se alguém comer deste pão, viverá eternamente; é o pão, que eu hei de dar. (1) É A MINHA CARNE PARA A VIDA DO MUNDO”.

Os judeus, a quem Ele falava, diziam então uns aos outros o mesmo que vós agora dizeis: Como pode ele dar a sua carne a comer? Como se pode isso fazer? – E não queriam acreditar.

“EM VERDADE, EM VERDADE, EU VOS DECLARO: SENÃO COMERDES A CARNE DO FILHO DO HOMEM, e se não BEBERDES O SEU SANGUE, não tereis a vida em vós“.

Aquele que come A MINHA CARNE e bebe o MEU SANGUE tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia“.

PORQUE A MINHA CARNE É VERDADEIRAMENTE UM ALIMENTO e o MEU SANGUE VERDADEIRAMENTE UMA BEBIDA.

Aquele que COME O MEU CORPOR e bebe O MEU SANGUE, fica em mim e eu fico nele. Aquele que come este pão viverá eternamente“.

Que dizeis a isto? Não dais crédito à própria palavra de Jesus Cristo, afirmando-vos pessoalmente que a Eucaristia é o Seu Corpo e o Seu Sangue, com uma clareza de expressão tal, que os protestantes se torcem e tornam a torcer em vão há trezentos anos e põem o espírito a tratos para se subtraírem à evidência?

2º – Pois se as primeiras palavras de Jesus Cristo são claras como a mesma verdade, as segundas, que são as da própria instituição da Eucaristia não têm menos clareza.

Nosso Senhor na véspera da Sua Paixão, depois da Ceia, toma o pão entre suas mãos divinas e veneráveis, benze-o e apresenta-o aos Seus Apóstolos, dizendo-lhes: “Tomai e comei todos: porque ESTE É O MEU CORPO”.

Não é isto bem claro? – ESTE, este que eu tenho nas mãos e que vos apresento, É, o quê? O MEU CORPO.

Depois dá aos Seus Apóstolos, que foram os primeiros padres, a ordem e o poder de praticar o que Ele próprio acaba de fazer, acrescentando estas palavras: “E todas as vezes que fizerdes estas coisas, fazei-as em minha memória“, isto é, como eu mesmo, como eu acabo de as fazer.

Homem de boa fé, ouvi e julgai: ESTE É O MEU CORPO!…

Quanto, a mim, declaro, que só estas palavras me bastam; e, não somente acho nelas uma prova brilhante da presença real de Jesus Cristo na Eucaristia, mas provam-me de uma maneira irrefragável a Sua divindade. nunca homem nenhum disse, nunca pode dizer, coisa semelhante!…

Uma observação mui simples vos facilitará, quanto ao mais, a crença do mistério eucarístico:

A natureza oferece-nos numerosos exemplos desta mudança, taxada de impossível, de uma substância em outra.

O mais notável de todos é o da nutrição corporal. O pão que eu como é transformado, pelo ato misterioso da digestão, no meu corpo, em minha própria carne e em meu próprio sangue. A substância do pão muda-se na do meu corpo.

Ora, porque não poderá Deus operar sobrenaturalmente no mistério da Eucaristia, o que opera em nós mesmos todos os dias naturalmente?

Bem vedes portanto que não é IMPOSSÍVEL que, pela onipotência divina, o pão e o vinho sejam mudados, em nossos altares, na substância do Corpo e sangue de Nosso Senhor JESUS CRISTO; e que a Igreja ensinando a sua presença real no Santíssimo Sacramento, não diz, como pretendem os ignorantes e inconsiderados, um absurdo, uma coisa impossível e de escândalo para a razão.

Agora, COMO esse prodígio admirável se opera, é o que eu não sei e os maiores doutores não o sabem melhor que os outros homens. É o mistério da fé, é o segredo de Deus. O que nós sabemos com certeza é que ali existe e isto nos basta.

Jesus Cristo, por esta admirável presença, o Rei das almas, a Vida dos cristãos, o Cabeça da Igreja, o Refúgio dos pecadores, o Bom e Doce Salvador, o Consolador de todas as dores, está constantemente entre Seus filhos; Deus e Homem simultaneamente é o laço vivo que nos une a Seu Pai e a nosso Pai. Ele adora a Seu Pai perfeitamente e supre a imperfeição de nossas homenagens. Pede-lhe misericórdia para os continuados pecados do mundo.

Está presente a todas as gerações humanas, que ama e que igualmente salvara, para receber de cada uma delas, até ao fim do mundo, a homenagem da Sua fé, da Sua adoração, do Seu culto e de Suas orações.

Se o Santíssimo Sacramento é o mistério da Fé, também o é, e mais ainda, o mistério do Amor…

Creiamos pois, amemos e adoremos.

Perguntas E Respostas Concisas e Familiares Às Objeções Mais Vulgares Contra A Religião, Monsenhor de Ségur, 1946.

(1) Observai estas palavras: Jesus Cristo promete este pão misterioso: mas ainda não o dá; Ele o dará mais tarde: “O paõ que eu hei de dar”. Logo não é, como dizem os protestantes, uma maneira figurada de falar da doutrina que pregava; por quanto ele dava esta doutrina; não se pode prometer aquilo que já se deu ou que atualmente se dá.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico