Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico

Felicidade de nos lembrarmos da presença de Deus

Não podemos ter uma continua presença de Deus, isto só aos Anjos pertence; basta. nos mantermos nela tanto quanto nos for possivel, e elevarmos amiúde nossa mente a Deus; não entendo termos sempre a mente atada. Que, se aquilo que estivermos fazendo nos puxar para fora da nossa atenção em Deus, e se for coisa necessária, não nos devemos afligir. Basta fazerdes todas as vossas ações por Deus, mui simplesmente; e, ainda quando não tivésseis pensado em retificar a vossa intenção antes de fazer e principiar a vossa ação, basta fazê-lo depois, e não concebais nenhum escrúpulo: a intenção geral que fazemos pela manhã basta. Quando fazemos alguma coisa por Deus, é isso estarmos na sua presença; o desejo que temos de nos conservarmos na sua presença serve-nos de atenção à presença da sua Bondade. Não nos devemos admirar quando não nos conservarmos nessa santa presença como desejaríamos. Bem felizes somos de ter esse santo afeto de servir a Deus, e não devemos fazer caso de não ter o sentimento que desejáramos ter no seu serviço.

O exercício da presença de Deus é o caro exercício dos Bem-aventurados, ou, antes, o contínuo exercício da sua bem-aventurança, consoante o que Nosso Senhor diz no Evangelho, que os Anjos vêem continuamente, sem interrupção nem intermissão, a face do Pai celeste; pois não é a vida eterna o ver a Deus e estar sempre na sua presença, à feição dos Anjos, que são chamados assistentes ao sólio de Deus? Se a Rainha de Sabá reputava bemaventurados os servos e os cortesãos de Salomão que estavam sempre na presença deste e que escutavam as palavras de sabedoria que lhe saiam da boca, quão mais venturosos aqueles que, estando neste mundo em estado de graça, estão continuamente atentos à santa presença d’Aquele que os Anjos desejam ver, posto o vejam incessantemente!

Andai sempre diante de Deus e diante de vós. Deus acha prazer em vos ver dar os vossos passinhos, e, como um bom Pai que segura o filho pela mão, acomodará os seus passos aos vossos e se contentará de não andar mais depressa do que vós. Com que vos preocupais? Com ir para um lado ou para outro, com ir depressa ou devagar? Contanto que ele esteja convosco e vós com ele, andai alegremente, com extrema confiança na misericórdia do vosso Esposo, e crede que ele vos conduzirá bem; deixai-o, porém, fazer.

Oh! que feliz é a alma que, na tranquilidade do seu coração, conserva amorosamente o sagrado sentimento da presença de Deus! Porque a sua união com a divina Bondade lhe embeberá o espírito todo da infinita suavidade. . . E porque haveria de inquietar-se a alma recolhida em Deus? não tem ela toda razão para ficar em repouso? Porquanto, que procuraria ela, já que achou aquele a quem buscava? Resta-lhe só exclamar: Achei aquele que meu coração ama, e não o largarei.

Oh! como são felizes essas almas que, desde esta estância mortal, escolheram essa ótima parte de Maria que lhes não será tirada eternamente!

O Segredo da Salvação, A Lembrança da presença de Deus e as Orações jaculatórias, extraído das Obras de S. Francisco de Sales, por Fernando Millon, Missionário de S. Francisco de Sales, 1952.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico