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Nossa Senhora do Rosário - Maria Medianeira Universal
Imagem de Nossa Senhora do Rosário exibida em uma residência particular em Burjassot no final da década de 1950, licença Creative Commons, Wikimedia Commons

Maria é Medianeira Universal?

Em que sentido se diz que Maria é Medianeira universal ?

Quando chamamos a Maria Medianeira universal, entendemos essa universalidade no sentido mais pleno e rigoroso da palavra. Não se trata duma universalidade moral e aproximativa que poderia sofrer alguma exceção, mas duma universalidade absoluta, e por assim dizer, matemática, que não admite nenhuma exceção.

Pode-se ter como certa esta universalidade absoluta?

Pode afirmar-se como certa a mediação absoluta universal de Maria. Assim o persuadem razões poderosíssimas:

1º – Se a mediação de Maria se considera como cooperação na obra redentora de Jesus Cristo, é certo que esta mediação, do mesmo modo que a Redenção, teve por objeto a economia íntegra da graça: e neste sentido é evidente que foi absolutamente universal.

2º – Numerosos testemunhos dos Santos Padres e Doutores, quer considerem a mediação de Maria dum modo geral, quer se refiram em particular à sua intercessão atual no Céu, afirmam igualmente a universalidade absoluta desta mediação. Tais são os testemunhos antes citados de S. Efrém, S. Germano, S. Bernardo e S. Bernardino de Sena.

Podem-se ainda ajuntar muitos outros.

Santo Tarásio saúda assim a Maria: «Salve, causa da salvação de todos os mortais! Salve, Medianeira de tudo o que existe debaixo do Céu» (1).

Santo Alberto Magno escreve:

«A Santíssima Virgem está cheia de todas as graças, sem faltar uma só, e estas graças desde a primeira até à última passam pelas suas mãos (2). São Belarmino ensina que «todos os dons, todas as graças, todas as influências celestiais que de Jesus Cristo, como da cabeça, descem para o corpo da Igreja, passam por Maria, que é como que o pescoço deste corpo místicos (3).

Leão XIII proclamou repetidas vezes esta verdade, como quando escreveu a todos os fiéis:

«Podemos afirmar com toda a verdade e propriedade que do imenso tesouro de graças trazido ao mundo pelo Salvador, nada absolutamente nos é concedido senão por meio de Maria, segundo a vontade expressa de Deus» (4).

3º – Os Santos Padres e Doutores que falam tantas vezes da Mediação universal de Maria, nunca lhe põem limites ou exceção: sinal evidente de que para eles tal limitação não existe.

4º – Finalmente não se vê nenhuma razão para pôr limites ou exceção à mediação de Maria.

Não se opõe a essa universalidade absoluta a graça sacramental, efeito da eficácia dos mesmos sacramentos?

A graça que por si produzem os sacramentos não se opõe à universalidade da mediação de Maria.

Porque, ainda que é verdade que os sacramentos, legitimamente administrados e recebidos com as devidas disposições, produzem a graça pela sua própria eficácia, não é menos verdade que para receber esta graça são necessárias duas coisas:

1º receber de fato os sacramentos;

2º aproximar-se deles com as disposi­ções convenientes.

Ora, ter a oportunidade, o desejo de os receber, e sobretudo as disposições devidas, tudo isso é um dom de Deus concedido aos homens pela mediação de Maria. Portanto também a graça sacramental é devida a esta mediação.

Além disso, a graça sacramental é parte integrante da economia integral da graça; e como Maria cooperou na realização desta economia, daqui resulta que a sua ação ou influxo se estende à instituição dos sacramentos e às graças que eles produzem por própria virtude.

A que é que se estende a mediação universal de Maria?

A mediação de Maria estende-se a todos os homens em geral e a cada um em particular, a todas e a cada uma das graças que eles recebem de Deus.

Que se entende aqui por graça ?

Quando se diz que a mediação de Maria se estende a todas as graças, com o nome da graça, entende-se principalmente todos os dons sobrenaturais que dispõem o homem para a vida eterna; mas secundariamente entendem-se também todos os benefí­cios divinos, ainda os de ordem natural, ordenados pela Divina Providência à santificação e salvação eterna dos homens.

Esta mediação universal de Maria torna inútil e suprime a mediação dos outros santos?

Ainda que universal, a mediação de Maria não torna inútil nem suprime a mediação dos outros santos do Céu.

Com efeito, se a mediação de Jesus Cristo que é absolutamente universal, necessária e suficiente, exige a mediação de Maria como um certo complemento ou condição, porque Deus assim o dispôs por pura bondade, assim também à sua maneira, a mediação de Maria ainda que universal, exige como complemento ou condição a mediação de outros santos para a obtenção de algumas graças determinadas.

Como é que a mediação dos Santos se harmoniza com a de Maria?

Uma e outra se harmonizam maravilhosamente; por um lado Maria recomenda a Deus as petições dos Santos, e por outro os Santos depõem as suas petições nas mãos de Maria para que Ela as apresente a Deus. Assim no-lo ensinam os santos Doutores.

É portanto necessária a mediação de Maria?

Só a mediação de Jesus Cristo é intrínseca e absolutamente necessária; mas de fato, na ordem presente da Divina Providência, Deus dispôs livre e amorosamente que a mediação de Maria fosse associada à de Jesus Cristo. Em virtude desta disposição da divina vontade, a mediação de Maria é necessária não só de fato mas também de direito, enquanto que Deus estabeleceu como lei universal que não concederia nenhuma graça aos homens senão por meio de Maria. «Deus quis, diz São Bernardo, que tudo nos viesse por Maria» (5).

Uma vez que é necessária e universal a mediação de Maria, segue-se daí que é igualmente necessário e indispensável invocar Maria para obter qualquer graça?

Ainda que é muito conveniente e recomendável interpor o valimento de Maria para obter de Deus qualquer graça, não é contudo condição indispensável para a alcançar. As suas entranhas maternais inclinam amorosamente Maria a interceder continuamente pelos homens, não só em favor de seus devotos, mas também pelos pecadores mais empedernidos.

Mesmo sem ser invocada, Maria intercede sempre por nós.

Maria Medianeira de Todas as Graças, pelo Padre José M. Bover, S. J. Tradução de Manuel Batista, S. J., 1957.

(1) Taras. M. G. 98, 1459.
(2) Alb. M. Mar. 9, 164.
(3) Bellarm. Cont. 42 de Nat. B. M. V.
(4) Leão XIII, «Octobri mense» 22 Sept. 1891.
(5) Bern. M. L. 183. 441.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico