O Coração de Jesus foi sempre sensibilíssimo e cheio de compaixão pelas aflições de outrem. Não deixava de consolar eficazmente os aflitos. Suavizava dores, enxugava lágrimas, derramava nos corações feridos o bálsamo suave do conforto. Esse nobilíssimo ofício de consolador, Ele o desempenhava de modo especial para com os pais aflitos, quando seus filhos eram colhidos por alguma enfermidade ou pela morte. Por amor da brevidade limitar-me-ei a poucos fatos.
Certo dia voltava por mar dos confins dos Gerasenos para Cafarnaum, sua moradia ordinária, quando se lhe apresenta um pobre pai e se lhe prostra aos pés com gesto de súplica. tinha ele uma filha única de dozes anos, que era as suas delícias. Caíra doente naqueles dias e foram baldados todos os remédios e cuidados; estava para dar o último suspiro. O pai, que se chamava Jairo, coma alma imersa em profunda dor e com os olhos banhados de pranto suplicava a Jesus: – Bondoso Mestre, minha filha se acha gravemente enferma: vinde, vos peço, dar-lhe vossa bênção e livrá-la da morte. Ao ouvir esse pedido tão cheio de confiança, ao ver a aflição daquele infelizes pai, o bom Jesus, se comove, quer poupar-lhe essa dor e parte.
No caminho eis que chega um servo para dar a seu senhor a infausta notícia de que sua filha falecera pouco antes. Pode-se avaliar a angústia do desditoso pai. Todos os seus afetos vão para o túmulo, com sua filha… começa a chorar copiosamente. O amável Jesus, porém, o conforta. “Não temas, lhe diz, mas tem fé”.
Chegando em casa, Jesus faz entrar no quarto mortuário o pai e a mãe; tomando pela mão a filha, com voz imperiosa lhe diz: – Menina, levanta-te. A essas palavras a alma voltou ao cadáver e ela, abrindo os olhos, levanta-se completamente sã. Impossível seria descrever a alegria do pai e da mãe. Não cessavam de render graças, de bendizer a Jesus e de proclamar por todas as partes seu divino poder e a bondade inexaurível de seu amorosíssimo Coração (1).
Acompanhado pelos Discípulos e por grande multidão, Jesus dirigia-se, de outra feita, para Naim. Quando chegava às portas da cidade desfilavam aí acompanhados por grande massa de povo os funerais de um jovem que falecera pouco antes, filho único de mãe viúva que chorava inconsolável e acompanhava o féretro, parecendo que se não podia separar do filho. Ante um espetáculo tão comovente, à vista de uma mãe que chorava sobre o cadáver de um filho único, não era possível que o bom Jesus não se apiedasse. De fato, apenas viu a mãe aflita, sentiu compaixão e aproximando-se lhe diz: – Não chores mais, serás consolada. Dizendo isso ordena que parem os que conduzem o morto e então, sem ser rogado, mas secundando um impulso de seu amoroso Coração, avizinha-se do cadáver e com uma voz que só podia partir da boca do autor da vida, diz: – Moço, levanta-te.
E opera-se naquele momento um portentoso milagre.
O filho levanta-se imediatamente e se põe a falar. E afim de que nada faltasse àquele ato de incompreensível bondade, Jesus toma o jovem pela mão e o restitui a sua mãe, que, fora de si pela alegria, parecia recobrar nova vida (2).
Não poderia deixar de falar da bondade do Coração de Jesus até para com as mães pagãs. Vêde a Cananéia que saindo das vizinhanças de Tyro e de Sidom, vai desolada em busca de Jesus.
Tinha ela uma filha possessa, a quem o demônio atormentava dia e noite. Não podendo seu coração de mãe ver a filha em tão miserável estado e não conhecendo remédio algum que lhe pudesse trazer alívio, recorre ao Coração de Jesus.
Ela bem sabe que, por ser pagã e de uma nação inimiga de Deus, não merece ser atendida; contudo, tem tanta confiança na bondade sobre-humana de Jesus, que já lhe parecer ter obtido a almejada graça. Ao encontrá-lo, prostra-se-lhe aos pés exclamando: – Senhor, tende piedade de mim, salvai minha filha. O Coração de Jesus parece desfalecer; a princípio não lhe responde palavra e depois decididamente lhe nega tal favor. mas não receemos. Ele assim faz para realçar mais a fé viva daquela mulher pagã e fazer-nos conhecer que, apesar de qualquer demérito, Ele é sempre generoso para com as mães que nEle confiam.
A desditosa mãe, apesar de receber uma recusa, insiste ainda, pede, suplica a Jesus que lhe queria atender. E Jesus com simulada aspereza responde que não, porque ela não pertence às ovelhas de Israel. Com essa segunda recusa não desanima ainda, aproxima-se e o adora dizendo:
– Oh! ajudai-me Senhor.
Jesus, porém, recusa mais uma vez seu pedido, dizendo:
– Não fica bem tomar o alimento dos filhos e lançá-lo aos cães.
– Tendes razão, Senhor, responde a mãe aflita, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus senhores. Reservai, embora, a abundância de vossos dons para os justos, mas não me negueis tão pequena coisa, como é para vosso infinito poder, a graça que vos suplico.
A essas palavras tão confiantes ditadas pelo amor materno, Jesus não faz mais violência a seu Coração e dando largas a seu terno afeto diz com bondade inefável:
– Mulher, grande é a tua fé, seja-te concedido o que desejas.
E no mesmo instante o espírito infernal abandona a filha; a mãe ao tornar a casa a encontrou sã, serena e tranquila (3).
Oh! pais, oh! mães cristãs, sede também vós devotos do Coração de Jesus, consagrai-lhe vossa família. Nesse Coração dulcíssimo vossos filhos estão abrigados contra a morte da alma, muito mais funesta que a do corpo e embora já se achem no sepulcro dos vícios, o Coração de Jesus os ressuscitará e vo-los restituirá sensatos e virtuosos. Estando com Jesus não serão assaltados pelos espíritos imundos, porque Ele saberá ampará-los para conforto vosso e deles.
Recorrei confiantes ao Coração de Jesus e sereis consolados.
O Jardim dos Eleitos, P. João Bonetti, Salesiano, Traduzido do italiano, Edição de 1887.
(1) Math. IX e Luc. VIII.
(2) Luc. VII.
(3) Math. XV.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico