Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico

Quem é Deus?

Deus é um espírito perfeitíssimo, Criador do céu e da terra.

Porque Deus é um espírito?

O mais necessário e o mais belo que chegamos a conhecer no catecismo, é Deus. Jesus, o Filho de Deus, conhece o Pai do céu e nos deu a conhecer este grande Deus.

Quando São Tomás era pequeno, sempre perguntava: “Quem é Deus?” Assim principiou, e depois ficou um dos maiores sábios que o mundo tem visto, e ensinou em muitos livros, quem é Deus. Isso nós queremos saber também: Quem é Deus?

Primeiro devemos saber que Deus é um espírito, isto é: Deus não tem corpo.

Era o tempo, que Jesus vivia na terra. Jesus vivia no país dos judeus. Os judeus iam ao templo de Jerusalém para adorar a Deus. Templo quer dizer: Igreja. Mas muitos não pensavam em Deus, conversavam e riam na Igreja e até faziam negócios na Igreja. Os judeus adoravam Deus só com o corpo: dobravam os joelhos, cantavam. Mas o espírito dele, a alma estava longe do Senhor, porque não pensavam em Deus e não queriam observar a Sua lei. Depois voltavam à casa e não rezavam mais nada, como se Deus só estivesse naquele templo. Os judeus adoravam a Deus só com o corpo, não com o espírito. O povo vizinho dos judeus eram os samaritanos. Eles adoravam a Deus na montanha Garizim. Também dobravam os joelhos e cantavam; mas os samaritanos também falavam e riam na Igreja e não pensavam em Deus e depois de voltar em casa não rezavam mais, nem observavam a lei de Deus, como se Deus só estivesse naquela montanha. Os samaritanos diziam, que a religião dos judeus não prestava porque não adoravam na montanha Garizim. E os judeus diziam, que a religião dos samaritanos não prestava, porque não adoravam em Jerusalém. Mas Jesus disse, que a religião de nenhum dos dois prestava, porque não adoravam em espírito e verdade. Jesus disse, que Deus é um espírito e que por isso podemos adora-Lo em qualquer lugar, isto é, não só com o corpo, mas muito mais com a alma, com o espírito. Vou contar, como foi isso.

Jesus assentou-se perto da fonte de Jacob, onde o povo de Samaria tirava água. Veio uma mulher para tirar água. Aquela mulher tinha feito muitos pecados mortais. Tinha tido cinco maridos, mas cada vez tinha morto seu marido ou se separado dele. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber.” A mulher admirava, que Jesus lhe pedia de beber. Pois os judeus não falavam com os samaritanos. Mas Jesus lhe disse: “Vai, chama teu marido e vem cá.” “Eu não tenho marido”, respondeu a mulher. Disse Jesus: “Disseste bem; pois tiveste cinco maridos, e aquele, que tens agora, não é teu marido.”

Então a mulher, muito assustada, compreendeu que Jesus era de Deus. Pois só Deus podia saber todos os pecados dela. Logo ela quis saber, quem tinha a verdadeira religião, os judeus ou os samaritanos. E perguntou: “Senhor, nossos pais adoravam sobre esta montanha e os judeus dizem, que em Jerusalém devemos adorar.”

Jesus respondeu: “Mulher, chegou a hora, em que não deveis adorar o Pai nem neste monte, nem em Jerusalém. Os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade. Deus é espírito, e em espírito e verdade O devem adorar.”

Jesus disse que Deus é espírito. um espírito não tem corpo. O corpo está ligado a certo lugar. Deus é espírito. Deus não tem corpo. Deus não está ligado a certo lugar. Deus ouve a nossa oração em Jerusalém ou na montanha Garizim. Deus ouve a nossa oração na igreja ou em casa. Só é preciso, que adoremos em espírito, isso é com a alma, pensando no que rezamos. Assim adoramos também em verdade: pois é falso adorar a Deus com o corpo, quando nosso espírito, o nosso pensamento está longe d’Ele. Nós queremos adorar Nosso Pai em qualquer lugar: em casa e na rua, na escola e na igreja. Mas queremos adorar o Pai do céu em espírito e verdade: queremos pensar em Deus e amar a Ele de todo o nosso coração.

Deus é um espírito, isto é: Deus não tem corpo.

Nós temos uma cabeça, temos olhos, ouvidos, boca, temos braços, temos membros. Tudo isto é o nosso corpo; o nosso corpo se pode ver, ouvir, sentir. o nosso corpo pode ser percebido pelos sentidos.

Os bichos também têem um corpo.

O João tem dois olhos. Mas os urubus também têem dois olhos e até vêem mais longe, que o João. Nisto não somos mais que os bichos.

O João tem duas orelhas. Mas os burros também têem duas orelhas, até maiores que as do João. Nisto não somos mais que os bichos.

O João tem uma boca. Mas os jacarés também têem uma boca, até muito maior que a do João. Nisto não somos mais que os bichos.

O João tem duas mãos. Mas os macacos até têem quatro mãos. Nisto não somos mais que os macacos.

Pelo corpo não somos mais que os bichos.

Porém o João pode alguma coisa, que os bichos não podem. O João pode pensar, rezar, compreender a doutrina.

Os papagaios podem dizer palavras, mas nenhum bicho pode compreender as palavras; o macaco pode pôr as mãos e o camelo dobrar os joelhos, mas nenhum animal pode rezar. Os bichos não podem pensar. Os bichos não podem querer livremente. Não é o nosso corpo que pensa, reza, compreende; se fosse o corpo, que pensasse, os animais podiam pensar também. Assim achamos em nós alguma coisa, que os bichos não têem, uma coisa que pensa. Isso que pensa em nós é a nossa alma. Os olhos do nosso corpo não vêem a nossa alma; porém a alma percebe os olhos e tudo o que eles vêem. Os nossos ouvidos não ouvem a nossa alma; porém a alma percebe os ouvidos e tudo que eles ouvem. Assim é Deus. Deus não tem olhos de carne; porém vê tudo o que os olhos podem ver. Deus não tem ouvidos de carne; porém sabe tudo o que um ouvido pode ouvir. Deus não tem mãos de carne; porém conhece tudo o que uma mão, palpando, pode achar. Por isso os olhos do nosso corpo que não podem ver a nossa alma, também não vêem a Deus. Deus, porém, vê-nos como a nossa alma percebe o nosso corpo. A uma coisa que não tem corpo, mas que pode pensar e querer livremente, chamamos um espírito. Assim os anjos são espíritos. Pois podem pensar e querer livremente e não têem corpo.

Assim Deus é um espírito, Deus não tem corpo, mas pode pensar e querer livremente. Há pessoas, que dizem: “Não há Deus. Pois não vejo a Deus.” Mas então também devem dizer: eu não tenho juízo; pois não vejo este juízo. Conhecemos a Deus por suas obras, como depois aprenderemos.

Nos tempos antigos vivia em Syracusa um homem muito sábio, pagão, chamado Simonides.

Um dia o rei o mandou chamar: pois que tinha de fazer-lhe uma pergunta. Simonides foi logo ao palácio, certo de que poderia responder com facilidade. E o rei perguntou: “Quem é Deus?”

O sábio tornou-se pensativo, hesitou e depois de uma demora pediu um dia para estudar a questão. No outro dia o rei perguntou outra vez: “Quem é Deus?” mas o sábio pediu dois dias, e depois de dois dias pediu quatro dias, e assim sempre mais. Enfim Simonides disse ao rei: “Não posso responder à vossa pergunta. Quanto mais penso, tanto mais me confundo.”

Este grande sábio pagão não sabia, quem é Deus. Nós felizmente o sabemos. Pois Jesus nos ensinou. Mas devemos ainda muito mais aprender e rezar e receber a Santa Comunhão para sempre melhor compreender, quem é Deus.

Queremos Deus, sempre sem míngua
Em cada templo, em cada lar
Em cada peito, em cada língua
glória, louvor Lhe hemos de dar.

Explicação do Pequeno Catecismo, Pe. Jacob Huddleston Slater, Doutor em Teologia e Filosofia Escolástica, 2ª Edição, 1924.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico