Santo Eusébio († 4º Séc.)
Santo Eusébio era um sacerdote, que possuía o espírito de oração e todas as virtudes apostólicas, em grau bem elevado. Morreu mártir pela fé, quando Diocleciano e Maximiano eram Imperadores e antes da publicação do célebre edito imperial, que decretou a perseguição da Igreja. Não se sabe se o lugar de seu martírio foi Roma ou Palestina. Certo é que esteve presente o Imperador Maximiano, no lugar onde Maxêncio exercia as funções de governador, o mesmo Maxêncio que citou Eusébio perante o tribunal.
A franqueza com que Eusébio pregou o nome de Jesus Cristo, irritou o espírito dos sacerdotes pagãos, que o denunciaram. O inquérito começou com a intimação de Maxêncio, de sacrificar aos deuses: “Sacrifica aos deuses, senão a isto te forçarei!” Eusébio respondeu-lhe: “Escrito está na lei santa: Só ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele servirás”. Maxêncio: “Está em tuas mãos; escolhe: ou prestas homenagem aos deuses ou contarás com dolorosa tortura”. Eusébio: “É um absurdo adorar pedras”. Maxêncio: “Que gente esquisita são esses cristãos! Preferem a morte à vida”. Eusébio: “Ninguém é tolo, preferindo as trevas à luz”. Maxêncio: “Bondade e condescendência nada conseguem; pelo contrário, tornas-te mais teimoso ainda. Sabe, pois: se não dobrares os joelhos ante as divindades, serás queimado vivo”. Eusébio: “Tuas ameaças não me amedrontam; quanto mais cruéis os tormentos, mais gloriosa será minha coroa”.
Maxêncio deu ordem a que Eusébio fosse apertado no torniquete e as carnes lhe fossem dilaceradas com torqueses. No meio dessa tortura, Eusébio exclamou: “O meu Jesus, vivo ou morto, vosso quero ser!” Ouvindo estas palavras, Maxêncio mandou os algozes pararem e disse ao mártir: “Não sabes que é uma ordem do Senado, segundo a qual todos os súditos são obrigados a prestar homenagens aos deuses?” Eusébio respondeu: “As ordens de Deus precedem às ordens dos homens”.
Maxêncio encheu-se de cólera e condenou o sacerdote à fogueira. Eusébio, como se fora a uma festa, alegre se dirigiu ao lugar determinado para o suplício. Todos se admiraram, sem poder explicar essa alegria de morrer.
Maxêncio, pela última vez, se dirigiu ao mártir e disse-lhe: “Porque é que com tanto afã procuras a morte? Não compreendo a tua pertinácia. Trata de mudar tuas ideias!” Eusébio retorquiu: “Se é a vontade do Imperador que se adore metal, desprezando o único Deus verdadeiro, a ele me conduzam”. Eusébio fez essa, exigência, porque não tinha aparecido ainda ordem imperial para maltratar os cristãos. Maxêncio ordenou então que o sacerdote fosse levado ao cárcere e ele mesmo, se dirigiu ao Imperador, para relatar o ocorrido e dizer, ao tirano que se tratava de um homem rebelde, que pertinazmente se recusava a adorar aos deuses.
“Trazem-o cá” – ordenou Maximiano, ao que um dos assistentes observou: “Senhor, seus discursos vos comoverão”. – “Que julgas? – respondeu Maximiano – pensas que alguém possa influir no meu espírito?” – “Não há dúvida, não só o vosso, mas o espírito do povo inteiro ele é capaz de mudar: ninguém vê aquele homem, sem ficar comovido”. – “Que venha”, ordenou o Imperador.
Eusébio veio, e no rosto lhe resplandecia algo de celeste e o Imperador vendo-o, sentiu forte comoção.
Dirigindo-se a Eusébio, disse-lhe o Imperador: “Bom velho, fala e nada receies, pois aqui está quem quer salvar-te a vida”. Eusébio respondeu: “Se eu esperasse a salvação desse homem, nada mais poderia esperar de Deus. Embora estejas, em autoridade e poder, acima dos demais homens, como eles és um ser mortal. Não receio repetir em tua presença o que já disse aos outros: Sou cristão e como tal não posso adorar pau ou pedra. Resolvi-me a obedecer a Deus verdadeiro, cuja bondade tantas vezes experimentei.
Maximiano, ao ouvir isso, dirigindo-se a Maxêncio, disse: “Não vejo o mal que este homem faz, em adorar um Deus supremo”. – “Senhor” – respondeu Maxêncio – ele entende por Deus um tal Jesus, que não conheço”. – “Pois bem, – disse Maximiano – julga-o conforme a lei; não quero servir de juiz nesta questão”.
Embora estivesse convencido da virtude de Eusébio, não se atreveu a dar-lhe liberdade. Seguiu-se novo inquérito, com novas intimações e ameaças. Como Eusébio ficasse firme e disse ao juiz: “Não me aparto da lei em que fui criado”, este o condenou à morte pela espada.
Certo da sentença, Eusébio exclamou: “Graças vos dou, Senhor meu Jesus Cristo, por terdes experimentado a minha fidelidade, tendo eu assim procedido como um dos vossos discípulos”. Ao mesmo tempo, se ouviu uma voz do céu, dizendo: “Se não fosses achado digno do martírio, não poderias entrar no reino do Rei eterno, nem ter lugar entre os eleitos do céu”.
A sentença de Maxêncio foi executada, e a cabeça de Eusébio rolou aos pés de quem a mandou cortar.
REFLEXÕES
“Tuas ameaças não me amedrontam; quanto maior o sofrimento, tanto mais belo será minha coroa”. Foi essa a resposta corajosa que Santo Eusébio deu ao tirano.
Se te lembrasses sempre da felicidade que espera os filhos de Deus no céu; se te quisesses convencer da certeza da glória que terão aqueles, que levaram sua cruz, em união com Nosso Senhor, quanto consolo não experimentarias nos sofrimentos! Na recitação do Credo, dizes: “creio na vida eterna”. Sabes que querem dizer estas palavras? São João Evangelista, o discípulo predileto de Jesus Cristo, referindo-se à vida eterna, escreve: “Caríssimos, agora somos filhos de Deus; e não apareceu ainda o que havemos de ser. Sabemos que quando ele aparecer, seremos semelhantes a ele; porquanto nós outros o veremos bem como ele é”. (1. Jo. 3. 2). Duas perguntas sempre nos preocupam: 1) que somos? 2) que será de nós? As respostas são igualmente importantíssimas: 1) Somos filhos de Deus; 2) seremos semelhantes a ele. “É essa a vida eterna, em conhecermos a Deus, nosso Pai e a Jesus Cristo, seu Filho”. (Jo. 17. 3). “Se somos filhos, seremos herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo”. (Roan. · 8. 17). Podemos fazer uma ideia dessa nossa glória? Que mais poderíamos desejar, que ser herdeiros de Deus, coerdeiros de Cristo filhos de Deus e irmãos de Nosso Senhor? Para possuirmos esta felicidade, vale a pena sofrer alguma coisa e carregar a cruz, por mais pesada que seja. “Creio na vida eterna”.
Na Luz Perpétua, Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus para todos dos dias do ano, apresentadas ao povo cristão por João Batista Lehmann, Sacerdote da Congregação do Verbo Divino, Volume II, 1935.
Nota: Imagem de Santo Eusébio indisponível. Na imagem acima: Pintura de Fra Angelico, Os precursores de Cristo com os santos e mártires, Década de 1420, domínio público, Wikimedia Commons
Última atualização do artigo em 17 de outubro de 2026 por Arsenal Católico