São Jacinto uma das glórias da Ordem Dominicana – era da família dos Condes de Odravaz, da Silésia e nasceu em Kanth, na Arquidiocese de Breslavia, no ano de 1185. Observando-lhe o grande amor à virtude e a inclinação à piedade, os pais, gente piedosíssima, deram-lhe uma educação adequada, o que muito contribuiu para que o moço, nos anos dos estudos nas Universidades de Cracóvia, Praga e Bolonha, se pudesse conservar intacto dos maus princípios e péssimas influências do mundo.
Terminados os estudos, recebeu do Bispo de Cracóvia o cargo de Cônego da Catedral e nesta posição auxiliou efetivamente o Prelado, na difícil administração da Diocese.
Em companhia do Bispo, foi a Roma, e coincidiu esta viagem com a casual estada de S. Domingos na Capital da Cristandade. Jacinto teve ocasião de conhecer o grande Fundador da Ordem, e sentiu-se lhe atraído pela virtude e santidade. Tão grande veneração tinha por S. Domingos, que se lhe apresentou e pediu admissão à nova Ordem. S. Domingos atendeu ao pedido do jovem sacerdote e recebeu-o com mais três companheiros. S. Domingos mesmo se incumbiu de introduzir os novos candidatos no espírito da Ordem e, tendo eles pronunciado os votos, mandou-os à Polônia, onde deviam trabalhar segundo o espírito do Fundador.
Jacinto começou então a missão de pregador e numerosos foram os pecadores que, movidos pela palavra apostólica do missionário, voltaram para Deus. Fundou em Cracóvia um convento dominicano. Como superior e religioso, dava a rodos o exemplo mais perfeito, na prática das virtudes monásticas. Fazia jejuns rigorosíssimos e de todas as maneiras castigava o corpo, para obriga-lo à penitência. Incansável no cumprimento do dever, como religioso e missionário, cultivava de um modo extraordinário a devoção ao Santíssimo Sacramento e à Maria Santíssima. Nenhum trabalho, de menor ou maior importância, começava, sem fazer antes uma visita à igreja, para invocar o auxílio de Deus Nosso Senhor e da Santíssima Virgem. Na véspera da Festa da Assunção de Nossa Senhora, esta o honrou com uma aparição, na qual disse: “Asseguro-te, meu filho, que alcançarás tudo o que pedires a Jesus”. Estas palavras da divina Mãe animaram-no extraordinariamente a continuar na trabalhosa faina de Missionário. Depois de ter pregado em toda Diocese de Cracóvia, mandou os religiosos também para outros lugares. Foram missionados por ele e os companheiros a Prússia e Pomerânia, a Suécia, a Dinamarca, países onde ainda existia o mais forte paganismo. Por toda parte os resultados eram esplêndidos e muitas almas foram ganhas para o céu. O zelo apostólico de Jacinto não se contentou com o que tinha alcançado até então. Dirigiu os passos para a Rússia e chegou até à Tartária. Grandes foram as conversões que pôde registrar, entre os próprios Príncipes, dos quais um, Columbano, depois de se ter convertido, retirou-se para o convento. Todas as viagens, entre as mais penosas, Jacinto as fez a pé. Consta que penetrou até ao Tibet e China.
Deus lhe deu o dom dos milagres; e foram tão numerosos esses milagres operados por S. Jacinto, que lhe importaram o título de taumaturgo.
Havia 40 anos que trabalhava Jacinto, como Missionário, na vinha do Senhor, quando lhe foi revelado que o dia da glória de Nosso Senhor seria também o dia de sua entrada no céu. Na véspera da festa, no ano de 1257, fez a última alocução aos filhos espirituais e preparou-se para a morte. Depois de recebidos os Santos Sacramentos, entoou o Salmo 30. Quando chegou ao versículo: “Em vossas mãos entrego meu espírito” – exalou o último suspiro. Jacinto morreu na idade de 74 anos, tendo, até o fim da vida, conservado fielmente o estado da inocência batismal. Numerosos milagres celebraram-lhe o túmulo. Em 1524 foi canonizado por Clemente VIII e suas relíquias repousam em Cracóvia, na igreja que lhe traz o nome.
REFLEXÕES
São Jacinto pôs a vida ao serviço de Deus, para salvar sua alma e a do próximo. O divino Mestre disse: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”. (Mat. 5). Tens esta fome, esta sede pela salvação de tua alma? Queres alcançar a felicidade eterna, mas o reino dos céus padece força e só aqueles que se esforçam o conquistam. A alma deve ter o verdadeiro desejo de alcançá-la. Não a apreciando, que desejo poderá ter? que esforço fará para garantir-lhe a posse? As energias do homem pertencem ao objeto da sua aspiração. Geralmente este objeto ideal é a riqueza. Todos os esforços, inclusive os mais penosos, são poucos para realizarem o desejo de tornar-se rico. A riqueza, tão apreciada, tão cobiçada e desejada, nada é, em comparação com os bens eternos. Como devia, portanto, ser grande o nosso desejo de possui-los? Se queremos efetivamente ser um dia habitantes da celeste Jerusalém, é preciso que mantenhamos em nós aquela fome e sede de justiça, isto é, que trabalhemos decididamente pela nossa santificação, que não é coisa tão fácil assim. Trabalhar pela santificação, é empregar os meios para chegarmos a esse almejado fim; é remover todos os obstáculos, que se nos opõem nessa santa tarefa; é viver santamente, é viver no mundo, mas não com o mundo; é lutar contra as nossas paixões e combatê-las; é fugir das ocasiões de pecar e precaver-nos contra os atrativos do pecado. Tudo isso é luta. Sem luta nada se alcança. O céu é a coroa da vitória, é a recompensa do trabalho, é o tesouro escondido, é a terra prometida, cujo caminho passa por meio de terras áridas e inóspitas. Que fazem os cristãos, para se assegurarem do prêmio eterno? Que fazes tu para merecer o céu?
Na Luz Perpétua, Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus para todos dos dias do ano, apresentadas ao povo cristão por João Batista Lehmann, Sacerdote da Congregação do Verbo Divino, Volume II, 1935.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico