Pedro Canísio, nasceu no ano de 1521 em Nymwegen no ducado de Geldern. Seu pai era conselheiro, e preceptor dos filhos do duque de Lotharingia. Sua mãe era uma senhora distinta, de grande virtude e santidade. Como geralmente acontece a meninos chamados por Deus ao seu santo serviço, também Pedro Canísio se distinguiu entre os seus companheiros pela piedade, pureza e amor ao estudo. Menino ainda, passava horas inteiras ao pé do Crucifixo, e durante a noite se levantava para rezar. Devendo às vezes comparecer a banquetes, abstinha-se do vinho, para assim fazer penitência pelos excessos que via outros cometer. Às vezes reunia seus companheiros e lhes explicava as cerimônias da santa Missa e dava-lhes instruções da doutrina cristã. Em suas conversas observava o maior recato, e suas faces cobriam-se de rubor ao ouvir urna palavra ofensiva à virtude da pureza. Uma pessoa privilegiada por Deus predisse ao menino de treze anos que seria membro duma nova Ordem na qual muito trabalharia pela salvação das almas contra a nova heresia. Tendo quinze anos, começou seus estudos na universidade de Colônia, onde se confiou ao célebre teólogo Dr. Nicolau Esch. Este grande mestre da ciência divina e da vida interior adiantou muito seu discípulo em ciência e santidade. Pedro ainda na sua velhice com gratidão se lembrava do seu bom mestre. Esch tornou grande interesse pelo seu discípulo, como prova o seguinte fato: Uma vez, quando Pedro estendera suas férias demasiadamente, e parecia se esquecer dos princípios da vida religiosa, Esch o procurou pessoalmente e determinou-o a voltar ao primeiro zelo. Entre as doutrinas que incutia a seu discípulo, figurava esta como fundamental: servir a Deus é reinar; servir a Deus traz a paz, tudo mais é vaidade. De Esch Pedro aprendeu o costume de ler todos os dias um trecho da Bíblia, e da vida dos Santos e fazer sua meditação. As instruções do mestre produziram os mais belos frutos! Pedro adquiriu um grau tão alto de caridade do próximo, que por diversas vezes vendeu seus livros para poder socorrer os necessitados. Na sua mesa havia uma caveira, para que o lembrasse continuamente da futilidade desta vida terrestre. Tendo apenas dezenove anos, recebeu o título de doutor em filosofia. Grandes eram as esperanças que seu pai nutria para seu futuro. Um casamento muito vantajoso que ele lhe ofereceu, Pedro não o aceitou, porque seu ideal era dedicar-se no serviço de Deus e retirar-se completamente do mundo. Na idade de vinte e um anos fez o voto de castidade perpétua.
A fama de que gozava o célebre discípulo de Santo Inácio de Loyola, Padre Pedro Faber, atraiu também a Pedro Canísio que se dirigiu para Mogúncia onde fez os exercícios espirituais sob a direção desse sábio sacerdote. O resultado deste retiro foi que Pedro Canísio pediu admissão na Companhia de Jesus. Com ele entraram ainda outros jovens. Pedro Canísio professou ainda no dia 8 de Maio de 1543. Mandado por Pedro Faber voltou para Colônia, onde em companhia de Álvaro devia fundar uma nova residência da Ordem. Canísio, porém, ficou com Leonardo Kessels em Colônia, começou seus estudos teológicos e recebeu as ordens maiores. Logo depois vemo-lo lecionar teologia e pregar a palavra de Deus. Sua atividade dirigiu-se principalmente contra a heresia do protestantismo. Seu prestígio era tão grande, que a universidade e o cabido metropolitano incumbiram-no de sua representação junto ao imperador que se achava em Worms. Pedro Canísio justificou perfeitamente a confiança nele depositada e conseguiu a deposição do arcebispo de Colônia Germano de Wied que favorecia escandalosamente a heresia nova. Naquela ocasião conheceu o Cardeal Othão de Augsburgo, o qual o delegou para substitui-lo no Concílio de Trento. Pedro Canísio assistiu às sessões do Concílio e seguiu viagem depois a Roma, para onde Santo Inácio o tinha chamado. Passados cinco meses foi mandado a Messina onde leccionou retórica durante um ano. Em 1549 voltou para Roma, onde em 8 de Setembro fez seus votos perpétuos. Do seu Superior recebeu então ordem para seguir novamente para a Alemanha.
Durante três anos trabalhou com muito zelo em Ingolstadt. O rei Fernando, conhecendo seus grandes merecimentos, alcançou de Santo Inácio a transferência de Pedro para Viena onde o protestantismo tinha causado grandes descontentamentos. Com muito trabalho, lutando sempre com inúmeras dificuldades, conseguiu levantar um pouco a vida católica na cidade dos Habsburgos. Incansável no púlpito e no confessionário, animou os católicos à resistência contra a onda invasora do protestantismo. Fundou Colégios em Viena e Praga, administrou a diocese de Viena pelo espaço de um ano, recusando, porém, aceitar dignidade episcopal. A pedido do rei Fernando compôs seu célebre catecismo, cuja primeira edição foi publicada em 1554. Em 1556 voltou para Baviera, fundou o Colégio de Ingolstadt e foi por Santo Inácio nomeado Provincial da Ordem na Alemanha e Áustria.
Pela influência que tinha sobre o Cardeal Othão de Augsburgo e o rei Fernando, tornou-se realizável uma forte resistência contra a política fraca, indecisa e Conciliadora, que outro resultado não tinha senão o fortalecimento da “Confissão Augustana”, a qual Pedro jocosamente dominava a “confusão Augustana”. Neste sentido trabalhou como pregador em Ratisbona, combateu o plano das discussões religiosas com os protestantes, e respondeu com muita vantagem a Melanchton em Worms, descobrindo desapiedadamente a cisão interna que reinava no campo luterano. Os estados católicos se reanimaram, readquiriram nova força na luta contra as agressões do protestantismo. No ano de 1557 fundou um Colégio em Colônia, visitou Estrasburgo, Friburgo, a Baviera e em 1558 tomou parte na eleição dum novo Superior geral da Ordem. A Companhia de Jesus contava naquela ocasião 1000 membros distribuídos em nove províncias.
Em companhia do Núncio Apostólico Camillo Mentuat foi à Polônia onde com bom resultado defendeu os interesses da Igreja católica. Outra vez foi reclamada sua presença na Alemanha quando se realizou a dieta de Augsburgo. Em uma série de sermões defendeu a doutrina da igreja sobre as indulgências e conseguiu que muitos protestantes se convertessem ao catolicismo. Quando se reabriram as sessões do Concílio de Trento, Pedro Canísio recebeu convite para nelas tomar parte e é devido à sua grande habilidade, que o Concílio tivesse, como teve, uma conclusão satisfatória. Em viagens que ainda fez no Tirol e Baviera, fundou os colégios em Innsbruck e Dillingen. Em 1565 morreu o Superior Geral, P. Laynez. Pedro Canísio tomou parte no capitulo geral que elegeu Francisco Borgia para sucessor. Nomeado Visitador das províncias austríaca e alemã, e encarregado de missões importantes pelo Papa Pio V, Canísio outra vez percorreu a Áustria, o Sul da Alemanha e os Países Baixos. É admirável ver como Pedro Canísio no meio de tantos trabalhos teve tempo para escrever livros teológicos, apologéticos e ascéticos, homiléticos e catequéticos, que todos eles dão testemunho do seu grande preparo e de sua profunda santidade. Uma congestão celebral condenou-o a uma inatividade de 6 anos. Deus, porém, permitiu que recuperasse sua saúde por algum tempo. No ano de 1597 adoeceu novamente e entregou sua alma a Deus. Pedro Canísio viveu 76 anos, dos quais 54 anos permaneceu à Companhia de Jesus. Estimado pelos Papas do seu tempo e os seus contemporâneos, Santo Ignácio, Francisco Borgia, Phillipe Neri, Carlos Borromeu, Francisco de Sales e Estanislau Kostka gozava Pedro Canísio da confiança ilimitada do povo católico que nele venerava um grande Santo e Taumaturgo. Gregório XVI beatificou-o em 1843. Pio XI no santo ano do Jubileu de 1925 inscreveu-o entre os santos canonizados e entre os Doutores da Igreja e designou o dia 27 de Abril para a celebração de sua festa, em lugar do seu dia natalício ou da morte, que foi 25 de Dezembro.
REFLEXÕES
Das obras principais desde grande Santo a mais importante é seu catecismo, que foi traduzido em quase todas as línguas. Este humilde livrinho tem sido a arma mais poderosa contra as heresias do século 16. A ele é devido, que numa grande parte dos países da Europa (Baviera, Áustria, Tirol, Suabia, Suíça, Bohemia) o povo ficou fiel à sua religião, que é católica. Hoje são outros inimigos, que furiosamente atacam a Igreja de Deus sobre a terra. Não são tanto as heresias, (que aliás também não dormem) que combatem a Igreja de Cristo, trabalhando também para a ruína da sociedade: são o capitalismo sem alma nem consciência e seu antagonista, o comunismo, que realmente baniu do seu programa a justiça e a caridade. Nessa luta titânica, que ameaça à civilização cristã é só do catecismo que se pode esperar a salvação. Embora pequeno, é esse o livrinho que em suas páginas reduzidas ensina as verdades mais sublimes, desvenda os mistérios mais profundos, e cuja leitura satisfaça a todos: a ricos e pobres, a sábios e inteligentes. O Catecismo é o livrinho que encerra a mais alta sabedoria e aponta para o caminho que deve seguir o indivíduo, a família, o estado, a humanidade toda para alcançar a felicidade. O Catecismo é que nos ensina o que devemos fazer para agradar a Deus e ganhar o céu. É ele que nos responde a todas as perguntas, e resolve todas as dúvidas. É o leite dos pequenos e o pão dos fortes; é o alimento da criança como do adulto; é um tesouro para todos, na vida e na morte. Troplong, presidente do Senado Francês, grande sábio e um dos advogados mais hábeis da França quando esteve para morrer, fez esta declaração. “Depois de ter-se visto muito, estudado bastante, vivido muitos anos, estando a morte a bater à porta, chega-se à convicção de que só o Catecismo é que diz a verdade.” – Trabalhemos, pois, pela difusão da doutrina cristã, cada um em seu lugar, e consideremos uma distinção muito grande podermos ensinar o Catecismo aos pequenos.
Na Luz Perpétua, Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus para todos dos dias do ano, apresentadas ao povo cristão por João Batista Lehmann, Sacerdote da Congregação do Verbo Divino, Volume I, 1928.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico