Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
Guido Reni, São Tiago, Apóstolo, entre cerca de 1636 e cerca de 1638, Domínio Público, Wikimedia Commons

São Tiago, Apóstolo

São Tiago, Apóstolo († 44)

O Apóstolo Tiago, chamado o maior, era natural da Galileia, filho de Zebedeu e Maria Salomé, irmão do Apóstolo e Evangelista S. João. Estando um dia, com o pai e o irmão, a consertar redes, passou Jesus e disse-lhes: “Segui-me”. João e Tiago obedeceram imediatamente; deixaram o pai e as redes, seguiram Jesus e ficaram-lhe fiéis discípulos, até os dias da sagrada Paixão.

Santo Epifânio afirma que Tiago viveu sempre em perfeita castidade. Incontestável é que S. Tiago foi um dos Apóstolos mais íntimos de Jesus Cristo.

O Evangelho relata que, em ocasiões determinadas, Jesus se fazia acompanhar só de três Apóstolos: S. Pedro, S. João e S. Tiago, como aconteceu na ressurreição da filha de Jairo, na Transfiguração no Monte Tabor e na Agonia no Horto das Oliveiras.

Jesus Cristo chama os dois irmãos, João e Tiago, Boanerges (que significa Filhos do Trovão), talvez para indicar que mais tarde seriam homens, cuja palavra abalaria os corações, movendo-os a aceitar a verdade da nova religião.

S. Lucas narra um fato, que caracteriza bem a índole dos dois irmãos, como também sua dedicação ao Divino Mestre. Quando chegaram a uma cidade na terra dos Samaritanos, estes não os quiseram deixar entrar. João e Tiago viram nisto uma injúria feita ao Mestre e exprimiram a indignação nestas palavras: “Queres, Senhor, que mandemos cair fogo do céu sobre esta cidade, para consumi-la?” – Jesus repreendeu-os, por causa da irreflexão e disse: “Não sabeis de que espírito sois! Não veio o Filho do Homem perder, mas salvar as almas”.

No Evangelho de S. Mateus lemos que, um dia a mãe destes dois Apóstolos veio pedir a Jesus que os colocasse no seu reino, um à direita e outro à esquerda. Evidentemente o pedido da mãe interpretava o desejo íntimo dos dois Apóstolos. Jesus repreendeu-os ainda e disse: “Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que hei de beber?” – Eles responderam resolutamente: “Podemos”. De fato, beberam o cálice do Divino Mestre, como prova a história da sua vida e morte.

Depois da Ascensão de Jesus Cristo, Tiago pregou o Evangelho em Jerusalém e em todo o país dos judeus. Mais tarde foi à Espanha. Quanto tempo lá ficou e quantos se converteram à religião de Jesus Cristo, não o sabemos. Passados anos, voltou a Jerusalém e trabalhou na conversão dos judeus. Muitos abraçaram o Cristianismo. Outros, porém, declararam-se lhe inimigos e tramaram contra a vida do Apóstolo. Herodes Agripa, criatura do imperador Calígula e rei da Palestina, embora não fosse judeu, mostrou-se a favor do judaísmo e encetou urna perseguição atroz contra os fiéis da Igreja de Cristo. S. Tiago foi a primeira vítima da sua astúcia. Quando, em 43, de Cesárea foi a Jerusalém, para celebrar a Páscoa, Herodes ordenou que o prendessem e que fosse decapitado.

Eusébio diz que o próprio acusador de Tiago ficou tão comovido, pela firmeza e intrepidez do Apóstolo, que se declarou cristão e sofreu o martírio com o mesmo. Chegado ao lugar do suplício, prostrou-se aos pés de Tiago e pediu perdão da trai­ção que lhe tinha feito. O Apóstolo fe-lo levantar, abra­çou-o e disse-lhe: “A paz esteja contigo”. Ambos foram decapitados no ano 44, no mesmo dia que Jesus Cristo morreu no Gólgota. O corpo de Tiago achou descanso em Jerusalém; pouco depois, porém, foi pelos discípulos levado à Espanha e depositado em Iria Flávia, hoje El Padron, na fronteira da Galícia. As relíquias foram encontradas em princípio do século IX e, por ordem do rei Afonso, transladadas para Compostela, que é até hoje um santuário celebérrimo, para onde se dirigem milhares de peregrinações da península ibérica.

Numerosos milagres glorificaram o túmulo do Apóstolo, cuja proteção à Espanha tem sido bem visível, no decorrer dos séculos.

O Arcebispo Paya y Rico descobriu novamente, em 1884, as relíquias do Santo, cujo jazigo tinha caído em esquecimento.

REFLEXÕES

Tiago seguiu imediatamente o chamamento de Jesus Cristo. Aprende do Apóstolo, que também tu deves seguir prontamente, quando a graça de Deus te chama para converter-te do pecado. Adiar a conversão e a penitência até a hora da morte, é expor a alma ao perigo de perder-se eternamente. Conheces as tentações horríveis, que o demônio te reserva e os ataques furiosos, que planeja contra tua alma, na hora da morte? Quem te garante que, na hora extrema, não te verás assaltado por tentações terríveis contra a fé, contra a misericórdia de Deus, e tua alma não se achará mergulhada em trevas horríveis, como só o pecado, o desespero e o orgulho as podem produzir? Quem te garante que terás o tempo necessário para fazer uma boa confissão e receber os Santos Sacramentos, nas disposições em que desejas recebe-los? Em que circunstâncias se dará tua morte? Ninguém te pode dar resposta acertada a essa pergunta. A graça de uma boa morte é de todos os benefícios o maior, que de Deus esperamos que no-la conceda. Dos pecadores, porém, afirma a Sagrada Escritura, que má será sua morte. Porque? Porque a regra é ser a morte o eco da vida. Qual vida, tal morte. Antíoco, aquele monstro vestido de púrpura real, o profanador do templo de Jerusalém, vendo-se ferido por Deus, e sem esperança de prolongar a vida, sob uma torrente de lágrimas, pede perdão a Deus.  Com o protesto de dar-lhe a mais ampla satisfação, promete converter-se, promover a glória de Deus, proteger-lhe a santa religião e restituir os bens roubados.  Dir-se-ia que o perdão de Deus não tardaria e Antíoco, o grande pecador, agora penitente, seria recebido na graça de Nosso Senhor. Mas que diz a Sagrada Escritura? “O malvado gritou pelo Senhor, de quem não havia de esperar misericórdia.” Porque Deus não se compadeceu? Porque a penitência de Antíoco era de aparência somente. Mais o afligia a horrível doença, do que o pecado, com que ofendera a Deus. – Antes de tudo, sinceridade também para com Deus. Sinceridade na família, na sociedade, sinceridade também na religião. Sinceridade principalmente na penitência, para que não nos seja aplicada a palavra da Sagrada Escritura: “Eu te chamei, mas não quiseste ouvir; agora rio-me da tua perdi­ção”. (Ps. 49. 21). Um coração sincero, humilhado e contrito Deus não rejeitará. Infinita é a sua misericórdia e pecador nenhum deve entregar-se ao desespero. Jesus perdoou ao bom Ladrão, para que te prevaleças de coragem. Em pecados deixou morrer o companheiro, para que não te entregues à uma, falsa segurança.

Na Luz Perpétua, Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus para todos dos dias do ano, apresentadas ao povo cristão por João Batista Lehmann, Sacerdote da Congregação do Verbo Divino, Volume II, 1935.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico