Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
Fra Angelico, Os precursores de Cristo com os santos e mártires, Década de 1420, domínio público, Wikimedia Commons

A santidade própria da Igreja de Jesus Cristo não a possui o protestantismo, mas única e exclusivamente a Igreja católica

Além da unidade, a Igreja de Nosso Senhor, como já dissemos, deve possuir a santidade.

Onde este característico, no protestantismo?

É’ de todo inexistente. Nenhuma seita protestante, até hoje, pretendeu possuí-lo.

E como poderia haver santos no protestantismo, se blateram os seus doutrinadores que Deus ordena ao homem coisas impossíveis e, do mesmo passo, lhe recusa, para executá-las, a graça indispensável, condenando-o depois aos suplícios do inferno?

E como poderia haver santos entre os protestantes, quando, sob pretexto de que só a fé basta para a salvação, rejeitam a necessidade das boas obras?

E como poderia haver santos entre estes hereges, quando sustentam que Deus é autor do mal, que impele o homem para o pecado e que é impossível observar os mandamentos?

E como poderia haver santos nestas seitas que reprovam os votos, as promessas, as penitências, os sacramentos, o culto dos Santos e da Virgem Santíssima, Senhora Nossa?

E como poderia haver santos entre estes reformistas, que negam até a possibilidade dos milagres, pretextando que seriam violações das invioláveis leis da natureza? E não só rejeitam o milagre; vão mais longe os seus corifeus: sustentam que se pode negar a divindade de Jesus Cristo e, até, a própria existência de Deus, sem por isso deixarem de ser bons protestantes!

Não! Não há nem pode haver santidade no protestantismo. Separados de Jesus Cristo pela heresia, quais sarmentos cortados da videira, já não possuem os seus sequazes a fecunda seiva sobrenatural, já não são orvalhados pela graça, e daí a sua completa esterilidade. Toda a sua virtude se reduz a uma gélida probidade; virtude autêntica, sobrenatural, heroica, – a santidade – lhes é inteiramente desconhecida.

Não assim na Igreja católica, a qual possui todos os meios de santidade com que a favoreceu o seu divino Fundador: uma doutrina moral puríssima, que outra não é senão a do Evangelho; os sacramentos – caudais da graça – instituídos por Nosso Senhor; a pregação autorizada da palavra divina, que norteia as almas para o ideal da perfeição, e a vigilância dos legítimos pastores da Igreja, que se não poupam a trabalhos para cumprir à risca a santificadora missão que lhes incumbe. Por sua parte, Jesus Cristo, de cuja plenitude – como diz São João – participamos todos, não só opera externamente sobre a Igreja, mediante a pregação, direção e administração, mas ainda pela sua graça ilumina, fortalece e estimula as almas nestas maravilhosas ascensões da virtude, e tal é a sua divina ação nas almas, que os nossos próprios merecimentos são ainda gratuitos dons de nosso Pai celestial.

Possuidora de todos os meios de santificação, legados pelo seu Instituidor divino, a Igreja católica tem efetivamente produzido, no decorrer dos tempos, grande número de santos, como consta da sua história vinte vezes secular; e tão imponente é a grandeza moral dos seus santos, que deixa na sombra todos os pretensos heróis do paganismo antigo e moderno, apesar dos monumentos que a muitos destes se erigiram.

O próprio Deus, que, nos eternos esplendores do Céu, glorifica os seus santos, se compraz muitas vezes em glorificá-los também aqui na terra, outorgando-lhes dons extraordinários, conferindo-lhes o estupendo poder de operar milagres autênticos, incontestáveis, cuja narração locupleta as páginas da História da Igreja. Nem nos causem estranheza semelhantes fatos, porquanto o próprio Jesus Cristo previamente declarara no Evangelho que os seus santos haviam de realizar milagres não só idênticos aos que Ele operava, mas outros ainda maiores. (1)

Se a santidade é própria da Igreja de Jesus Cristo, e se na Igreja católica, e única e exclusivamente nesta, se encontra a santidade, forçoso é concluir que só a Igreja católica é a verdadeira Igreja de Jesus Cristo.

Continua…

A Propaganda Protestante e os Deveres dos Católicos, Carta pastoral, Dom Fernando Taddei da Congregação da Missão, 1929.

(1) Amen, amen dico vobis, qui credit in me, era quae ego facio et ipse faciet, et majora horum faciet – Jo., 14, 12.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico