(Beato Afonso de Orozco)
Irmã, deveis limpar muitas vezes vossa consciência com o Sacramento da Confissão. Digo muitas vezes, porque sua virtude é tão grande que nele se dá nova graça para esforçadamente vencer os vícios, e, ainda mais, pela vergonha que o penitente experimenta na confissão, que será maior à proporção que for diferida a recepção deste Sacramento. Deveis, pois, confessar a miúdo para tornar suave e não trabalhosa a confissão, porque sabido é que as coisas, ainda que dificultosas, com o exercício, se tornam fáceis. Mas, ó tibieza grande dos cristãos, que tão pouco uso fazem de arma tão fortíssima contra a carne, mundo e demônio, dada pelo Rei soberano, Jesus Cristo! Ele nos manda confessar; por isso deu poder aos Sacerdotes para absolver os nossos pecados.
Lázaro não pôde andar, ainda que ressuscitado, sem que primeiro lhe tirassem as ligaduras da mortalha. Nossa alma não pode ser grata a Deus, nem praticar atos de vida eterna, se não for desligada das correntes da culpa, pelas mãos do Sacerdote, no Sacramento da Confissão. Amável é nosso Redentor Jesus Cristo, dando-nos um juiz tão a nosso favor como é o confessor: não nos deixou um Anjo, que ficaria horrorizado dos nossos pecados e fraquezas, mas sim um homem pecador como nós, para absolver-nos dos pecados, quantas vezes com verdade e sinceridade o desejarmos. Amável é nosso Salvador, que para guardar a nossa honra e fama quer, com tanta benignidade, que em segredo manifestemos nossas culpas a um seu representante. Não deu a lei da confissão aos Anjos, porque logo que pecaram foram condenados, sem ter lugar ao arrependimento, mas sim aos pobres filhos de Adão, aos quais pela confissão são abertas as portas do céu e são constituídos filhos de Deus e herdeiros de sua glória.
Condições da Confissão
A primeira condição é que o pecador na confissão se acuse a si mesmo e não aos outros. Não se há de confessar da virtude, mas sim do que é vício ou pecado.
A grande perda, grande dor se há de seguir, pois de ter perdido o pecador a Deus, bem infinito, muito há de arrepender-se. O homem, pecando, perde sua alma, perde a companhia dos Anjos, perde a divina graça, merece o inferno e faz-se indigno de gozar da glória de Deus. Logo deve ter grande arrependimento na confissão quem tantos e tão grandes males fez com o pecado mortal.
Não deveis pensar, irmã, que falais com um homem, mas com Deus, quando ao Sacerdote confessais vossos pecados. Deus vê vosso coração e vossos pensamentos, e sabe com que intenção vos confessais.
A confissão das culpas deve preceder o conhecimento das mesmas, examinando vossas obrigações particulares, conforme o vosso estado, os mandamentos da lei de Deus e os da santa Madre Igreja, e vossas negligências no divino serviço. Para chegar a ter este conhecimento, deveis pedir com humildade as luzes sobrenaturais e a assistência da divina graça.
Oração para antes do exame de consciência
Divino Espírito Santo, fonte de luz, iluminai meu entendimento para que conheça minhas culpas tão clara e distintamente como as conhecerei quando me apresentar perante o tribunal da vossa soberana justiça. Dignai-vos inspirar-me todo o ódio e horror que elas merecem, junto com uma firme resolução de não mais tornar a pecar. Abrandaí a dureza do meu coração e movei minha língua para que eu manifeste todas as minhas culpas no santo sacramento que vou receber.
Oração para antes da confissão
(Santo Agostinho)
Deus onipotente, só vós podeis fazer justos aos ímpios, ressuscitar os mortos e mudar o coração dos pecadores para que tornem ao bom caminho. Que a mão da vossa misericórdia afaste do meu coração tudo o que o possa fazer indigno de vós, pureza infinita. Curai-me, Senhor, e ficarei são; salvai-me, meu Deus, e serei verdadeiramente salvo. Arrancai do campo do meu coração todos os espinhos e erva ruim que nele os vícios têm feito brotar, semeai nele a boa semente. Jesus, meu Salvador, objeto único do meu amor e de meu desejo, que não pense eu senão em vos amar e louvar com todo o afeto do meu coração. Imprimi nele com vossas próprias mãos a lembrança agradabilíssima dos inúmeros benefícios com que me tendes enchido, para que jamais essa lembrança se afaste de mim. Que eu nunca deseje outra coisa senão vos amar e louvar, e que vosso casto e santo amor me possua eternamente. Amen.
Oração para depois do exame
(Do Manual do Cristão)
Afetos de humildade
Senhor meu Jesus Cristo: eis aqui prostrado aos vossos pés um miserável pecador, ingrato e rebelde até agora aos benefícios e chamados. Oh! misericórdia infinita que até agora me suportastes! Não me condeneis, nem perdoai-me a temeridade com que desenfreadamente corri após os meus apetites e desregramentos, deixando-me levar das más inclinações.
Afetos de confusão
Quanto vos tenho esquecido, meu Deus! Quão duro e indiferente para seguir vossos caminhos! Quão cego tenho sido para não ver a verdade da vossa doutrina! Apreciei o que vós aborreceis, e aborreci o que vós apreciais; amei as coisas desta vida, perdi-me por elas como se fossem bens verdadeiros e eternos, e abandonei a vós, riqueza infinita.
Afetos de admiração
Ó vida de minh’alma, ó paciência infinita que me suportastes! Abri neste frio coração uma fonte de lágrimas que apague o fogo de minhas paixões, e fazer que durante o resto da minha vida chore a má vida passada e o abandono que de vós tenho tido.
Afetos de confiança
Como o pobre chega ao rico, o miserável ao misericordioso e o doente ao médico, assim eu venho a vós cheio de confiança em vossa misericórdia. Favorecei-me, compadecei-vos de mim, sarai minhas chagas, matai minha fome, julgai minha causa com misericórdia, penhor de minha salvação.
Afetos de dor
Meu Deus, compadecei-vos de mim; Jesus, Filho de Deus vivo, tende misericórdia de mim, perdoai este pecador arrependido. Que pode fazer um Deus tão misericordioso, senão perdoar e ter misericórdia? Fazei, Senhor, como quem vós sois; dai-me lágrimas de verdadeira penitência para pesar-me de vos ter ofendido e arrepender-me de todos os meus pecados.
Avisos para a Confissão
1. Se os pecados são mortais, estás obrigada a dizer o número e as circunstâncias que fazem mudar de espécie o pecado. É conveniente manifestar ao confessar as circunstâncias que aumentam notavelmente a malícia dos pecados. Se fazendo alguma ação pecaminosa tiveste ao mesmo tempo interior complacência ou desejo de outro pecado grave, também isto estás obrigada a manifestá-lo na confissão.
2. Declara o certo como certo, o duvidoso como duvidoso; cometerias um sacrilégio calando advertidamente ou diminuindo ou pondo em dúvida o que conheces como certo, já quanto ao número, já quanto à espécie dos pecados, tratando-se de matéria grave. Se não te lembras do número certo dos pecados, deves declarar por quanto tempo continuaste cometendo aquele pecado, e, mais ou menos, quantas vezes cada semana, cada mês, ou bem se foi todos os dias e quantas vezes no dia.
3. Se frequentemente recais num pecado, se tens contraído algum hábito de pecado grave, se viveis em ocasião próxima de pecado, ou se ainda não tens cumprido alguma grave obrigação da tua consciência, manifesta tudo ao confessor com sinceridade e clareza, não só para que ele te dê os remédios oportunos, como também para te não expores, como ordinariamente acontece, a fazer uma confissão má, devendo preparar-te como se esta fosse a última de tua vida, com aquela sinceridade, arrependimento e propósito que desejarias ter na hora de tua morte.
Feito o exame, antes de ir a confessar-te, deves fazer um verdadeiro ato de dor, de arrependimento, com propósito de emenda. E, como esses dois atos são os mais importantes e necessários, procura, todas as vezes, fazê-los bem, não às pressas, mas com atenção e fervor:
Para mais assegurar a absolvição, não tendo pecados graves a confessar, será conveniente que acuses algum pecado grave da vida passada, podendo terminar a confissão com alguma fórmula semelhante a esta: acuso-me também de todos os pecados da vida passada, em particular dos que tenho cometido contra a pureza, contra a caridade, ou contra tal mandamento. — Logo depois do exame de consciência, e feita a oração para alcançar uma verdadeira dor dos pecados, considera cuidadosamente o especial benefício que Deus te concede e excita-te de novo ao arrependimento de todas as tuas culpas e ao propósito firme de as não tornar a cometer.
Depois da Confissão
Afetos e súplicas
1. Meu Deus e Senhor! Tenho examinado minha vida e endireitado meus passos com a observância dos vossos mandamentos. Os laços dos pecadores cercam-me por toda parte, mas não esquecerei vossa santa lei. Voltai a mim vossos olhos e contemplai-me com piedade, como fazes com os que vos amam. Endireitai meus passos para que eu ande pelo caminho dos mandamentos. Que eu esteja sempre atento à vossa lei para que a observe com todo meu coração. Apartai meus olhos para que não vejam as vaidades das coisas, e inclinai meu coração a vossos mandatos.
2. Volta, ó minha alma, à tua paz, já que foste favorecida do Senhor. Ele livrou-te da morte e enxugou tuas lágrimas.
Infundi, Senhor, constância no meu espírito; regulai meus passos e dirigi-me pelo caminho da retidão. A vós, Senhor, busquei com todo meu coração; a vós manifestei meu delito e não ocultei minha injustiça. Que posso querer no céu ou desejar fora de vós na terra?
3. Palavras de Deus. Observa meus mandamentos, porque quem os pratica achará a vida eterna. Eu esquecerei as iniquidades e não me lembrarei dos teus pecados. Anda pelo caminho dos justos e jamais o deixes; não tornes a pecar, pois ficaste são.
Oração
(Ven. Luís de Granda)
Amorosíssimo Redentor meu! pelos vossos merecimentos e pela intercessão de vossa Santíssima Mãe e a de todos os Santos, suplico-Vos que tenha sido agradável e tida por boa esta minha confissão; e se esta ou outras que tenho feito, foram nulas ou más por falta de contrição, pureza e integidade, supra-a vossa piedade e misericórdia, e, assim, considerai-me mais copiosamente absolvido no céu. Amen.
Devocionário e Mês de Santa Rita de Cássia, pelo Exmo, e Revmo. D. Bernardo Martinez Noval O.S.A., Bispo de Alméria, 1952.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico