Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico

Diversas formas de apostolado

Ó Jesus, ensinai-me a orar, a sofrer e a trabalhar conVosco pela salvação das almas.

1 – Quando se fala de apostolado, pensa-se quase exclusivamente na atividade externa; esta é certamente necessária, porém não é a única forma de apostolado. Devemos ter sempre presente que Jesus nos salvou não só pela atividade desenvolvida nos três últimos anos da Sua vida, consagrados à evangelização das multidões e à formação do primeiro núcleo da Igreja, mas também pela oração, pelo sofrimento, em suma, por toda a sua vida. Jesus foi sempre apóstolo, foi sempre o enviado do Pai para a nossa salvação. O Seu apostolado começa em Belém na miséria de uma gruta onde, criancinha ainda, envolto em panos, já sofre por nós; continua durante os trinta anos de vida passados em Nazaré na oração, no retiro, no escondimento; adquire uma forma exterior no contato direto com as almas durante a vida pública e atinge o seu ponto culminante na agonia do jardim das Oliveiras e na morte de cruz. Jesus é apóstolo no estábulo de Belém, na oficina de José, nas angústias do Getsemani e do Calvário, não menos do que quando percorre a Palestina ensinando as turbas ou disputando com os doutores da lei. O nosso apostolado consiste em nos associarmos a tudo o que Jesus fez pela redenção da humanidade, por isso não se limita só à atividade externa, mas consiste também, de um modo essencial, na oração e no sacrifício. Distinguem-se, portanto, duas formas fundamentais de apostolado: o apostolado interior da oração e da imolação, que é um prolongamento da vida oculta e da Paixão de Jesus; o apostolado exterior da palavra e das obras, que é um prolongamento da Sua vida apostólica. Ambos são uma participação na obra salvífica de Jesus, mas entre eles há uma grande diferença: ao apostolado interior é a base indispensável do apostolado exterior; efetivamente, ninguém pode pensar em salvar almas com uma atividade que não seja sustentada pela oração e pelo sacrifício. Ao contrário, em certos casos, pode faltar toda a atividade exterior sem que por isso fique diminuída a atividade exterior sem que por isso fique diminuída a atividade interior da oração e do sacrifício, que pode igualmente ser muito intensa e fecunda. Todo o cristão é apóstolo, não só em virtude da atividade que desenvolve, mas também em virtude da sua participação na oração e no sacrifício com que Jesus remiu o mundo.

2 – O apostolado interior pode subsistir por si mesmo e, com efeito, há formas de vida que legitimam a ausência do apostolado exterior. Tal é o caso da vida contemplativa pura, sempre florescente na Igreja e por ela maternalmente defendida contra aqueles que a acusam de “ausência sistemática” do campo de atividade. Aqueles que, seguindo o chamamento de Deus, se retiram das obras para se consagrarem a este gênero de vida, não são desertores ou fugitivos. Se deixam as fileiras do apostolado exterior, fazem-no precisamente para se voltarem a um apostolado mais profundo: o da oração e da imolação contínuas.

“Os que exercem na Igreja o ofício da oração e da penitência contínuas, contribuem para o incremento da Igreja e para a salvação do gênero humano muito mais do que os que cultivam o campo do Senhor com a sua atividade, porque se eles não impetrassem do céu a abundância das graças divinas para regar o campo, os operários evangélicos tirariam menos fruto dos eu trabalho” (Pio XI, Umbratilem).

Esta autorizada afirmação, de uma grande Papa, não pode admitir dúvidas acerca do alto valor apostólico da vida contemplativa; por outro lado, é justo observar que tal valor só existe quando os contemplativos se empenham com todas as suas forças na oração e na imolação contínuas. Por outras palavras, não é qualquer oração ou qualquer sacrifício que alcançam uma tão grande fecundidade, mas só a oração e o sacrifício que brotam de um coração extremamente puro e generoso, totalmente consagrado a Deus, que renova e vive a sua imolação, dia a dia, com vigor e profundidade cada vez maiores. Se a vida contemplativa se vive com esta intensidade, é eminentemente apostólica. Neste sentido Pio XII define a vocação claustral como sendo “uma vocação apostólica universal… uma vocação plenamente apostólica, não circunscrita por limites de tempo, de lugar ou de circunstâncias, mas pronta a zelar sempre e em toda a parte por tudo quanto de algum modo pode dizer respeito á honra do Esposo e á salvação das almas” (Const. Apost. Sponsa Christi). Além disso, os mosteiros contemplativos, com o simples exemplo da sua vida de retiro, de oração, de penitência, são para todos um contínuo chamamento ao desapego das coisas terrenas, à busca das celestiais, à união com Deus, à santidade.

Colóquio – Ó Jesus, que poderia eu fazer para salvar as almas? Vós respondeis-me com as palavras que dirigistes um dia aos Vossos discípulos, ao mostrardes-lhes os campos de trigo maduro: ‘Levantai os vossos olhos e vede como os campos já estão branquejando para a ceifa… A messe é verdadeiramente grande, mas os operários são poucos; rogai, pois, ao Senhor da messe, que mande operários’.

“Que mistério! Ó Jesus, porventura não sois onipotente? As criaturas não Vos pertencem, a Vós que as criastes? Porque dizeis então: ‘Rogai ao Senhor da messe que mande operários’? Porque?… Ah! Jesus, porque tendes por nós um amor tão incompreensível, que quereis que tenhamos parte conVosco na salvação das almas. Não quereis fazer nada sem nós! Vós, o Criador do universo, esperais pela oração de uma alma pequenina e pobre para salvar outros almas remidas, como ela, a preço do Vosso Sangue.

“A minha salvação não é segar nos campos maduros; Vós não me dizeis: ‘abaixa os olhos, olha para os campos e vai segar’; a minha missão é mais sublime ainda. Vós dizeis-me: ‘Levanta os olhos e vê como no céu há lugares vazios: a ti pertence-te preenchê-los… tu hás de ser o meu Moisés a rezar na montanha; pede-me operários e eu os enviarei; só espero uma oração, um susiro do teu coração!’

“Eis, ó Senhor, a missão que me confiais: contribuir, com a oração e o sacrifício, para a formação de operários evangélicos que salvarão milhões de almas das quais eu serei a mãe” (cfr. T.M.J. Cart. 114).

Intimidade Divina, Meditações Sobre a Vida Interior Para Todos os Dias do Ano, P. Gabriel de Sta M. Madalena O.C.D. 1952.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico