Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
Diego Velázquez, Coroação da Virgem [croped], entre 1635 e 1636, Museo del Prado, Domínio Público, Wikimedia Commons

Maria, medianeira universal de todas as graças

1º – O que é e em que consiste a Mediação

Mediação é servir de meio entre dois extremos…, como a aurora entre a luz e as trevas. – É de algum modo participar das duas partes e representá-las a ambas. – Segundo S. Roberto Belarmino, é ser juiz e árbitro, que administra justiça entre as partes litigantes…; é ser mensageiro de paz, propondo os condições a que devem sujeitar-se os dois inimigos para que se restabeleça entre eles a antiga amizade…; é ser valido régio que interpõe o seu valimento junto do monarca, para conseguir perdão e favor para aquele que ofendeu ao Rei…; é enfim ser mártir da caridade, que imola a sua vida em justa satisfação à pessoa ofendida.

Aplica estes pontos a Jesus Cristo e verás com quanta verdade dizia S. Paulo: “Ele é o único mediador entre Deus e os homens e não temos outro”. Cristo pelo seu tríplice caráter de Messias ou Enviado do Pai, de Sacerdote Eterno e Redentor do mundo, é certamente o verdadeiro Mediador… o Anjo da Paz, que aplaca a ira de Deus irritado contra o homem dando Àquele, com a sua vida, plena satisfação dos pecados deste. – Mas vê também como depois de Cristo… e com Cristo e por Cristo… Maria considerada não isoladamente mas em união com Ele, como sua Mãe e como participante da sua obra da Redenção. na qualidade de Corredentora dos homens, é perfeita mediadora entre nós e Deus.

É Mãe de Deus e Mãe nossa e assim nela une estes dois extremos… e como Mãe de misericórdia que é resolve e sentenceia sempre a favor dos pecadores. – É Rainha da Paz e assim consegue-a sempre para os seus filhos rebeldes a Deus que pelo pecado lhe declararam guerra. – É a Onipotência Suplicante, e por isso diz S. Bernardino de Sena que todas as coisas estão sujeitas a Maria, até o mesmo Deus… bastando uma só palavra sua para conseguir o que deseja. – É enfim Mártir da caridade e Rainha dos mártires: mereceu este título ao imolar-se juntamente com seu Filho, ao pé da cruz… oferecendo ao Eterno Pai a vítima divina e constituindo com Ela um único sacrifício…

2º – Dispensadora de todas as graças

Maria é a que dispensa e administra toda a graça…, de tal maneira que no dizer de S. Afonso Maria de Ligório Deus quer que todas as graças nos venham por Maria… e S. Bernardo exclama: Repara com que afeto quer Deus que honremos a nossa Rainha…, pois nela pôs a plenitude de todo o bem para que todas as graças de esperança e de salvação nos venham por Ela; – Deus é o autor de todo o bem e de toda a graça em todas as ordens…; são riquíssimos e infinitos os seus tesouros…, mas a chave que os encerra entregou-a a Maria.

Ela é como a Mãe da casa bem administrada e governada, onde o pai ganha o pão mas onde a mãe é que o reparte aos filhos. – Não duvides de que todos os bens, mesmo os temporais, te hão-de vir só por meio de Maria. – A união íntima entre Jesus e Maria exige esta universalidade da sua ação mediadora. – S. Paulo chama a Cristo Segundo Adão, o Adão celestial; pois bem, a Igreja chama a Maria a Segunda Eva. – Cristo é cabeça do corpo místico, mas Maria, na frase de Pio X, é o “pescoço” que une a cabeça ao corpo… e que transmite toda a vida da cabeça aos outros membros.

Mas para ser efetiva e prática esta universalidade da Mediação requerem-se três condições: Primeira – posse total do dom. Segunda – Vontade de dá-lo. Terceira: poder para isso.

Pois bem, não se pode duvidar que Maria possua todas as graças…: a graça inicial em Maria já foi maior do que a dos anjos e santos…; a graça da santificação completa, porque é verdadeiramente, segundo o anjo, a cheia de graça, ao ser feita Mãe de Deus…; a graça final em Maria foi incalculável, visto que não deixou de crescer um só momento em graça. – Ela é a única que se chama Imperatriz e é coroada como Rainha dos céus e da terra.

A segunda condição e a terceira é que Maria quer e pode dar-nos todas as graças… Já dissemos que é evidente, pois se deduz dos seus dois títulos de Mãe e de Rainha. – Logo Maria é, por nosso bem, o canal por onde chega até nós toda a graça de Deus.

3º – A mediação no Evangelho

A) Como Corredentora aparece na Incarnação, onde com o seu consentimento. aceita o sacrifício de ser a Mãe dolorosa do Varão das dores…; na Apresentação do Menino Jesus, em que oferece a seu Filho e renova a sua oblação generosa, ouvindo dos lábios de Simeão a dolorosa profecia da espada que atravessaria o seu coração… Na cruz associou-se de tal modo a seu Filho, que ambos foram duas hóstias de um mesmo sacrifício.

B) Como Mediadora que intercede e consegue e reparte graças, aparece claramente na visita a Santa Isabel, onde o Batista é santificado no seio de sua mãe pela presença da Santíssima Virgem… Nas bodas de Caná fez-se o milagre por petição, e, quase podemos dizer, por imposição de Maria, chegando a adiantar a hora da manifestação de seu Filho… No cenáculo, no dia de Pentecostes, Maria prepara e dispõe os Apóstolos para receberem o Espírito Santo, isto é, coopera na obra santificadora da graça na alma dos Apóstolos…

4º – Deus o quer

Conclui pois que é Deus que claramente manifesta a sua vontade. – Pôde remir-nos sem Maria e não o quis… Logo, ainda que possa, também não quer santificar-nos sem Maria. – Grande é a devoção que devemos ter a Maria por mil razões, mas dificilmente encontraremos uma que tanto nos deva mover a isso como esta…, pois em certo modo, como vês, abarca todas as outras. – Por amor e gratidão para com esta excelsa Mediadora… até por conveniência e utilidade própria, devemos ter-lhe grandíssima devoção. – Sem Ela não conseguiremos aproximar-nos de Jesus… não é possível que saibamos falar-lhe…, as nossas súplicas sem Maria não podem nem merecem ser atendidas. – Deus dá-se-nos por meio d’Ela… portanto por Ela devemos ir nós a Deus…; demo-nos totalmente a Ela para que Ela nos leve a Deus… Que caminho tão fácil…, tão seguro…, tão belo e tão consolador! – Anima-te e de uma vez para sempre põe-te em suas mãos… Dá a tua Mãe as chaves do teu coração…, para que Ela disponha de ti como quiser…, que sempre será como mais te convém.

Pede-lhe isto assim…, suplica-lhe te dê alguma parte das graças que Ela tem…, mas em especial, pede-lhe a de saber amar com Ela e por Ela ao Senhor na vida e na morte…, no tempo e na eternidade…

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico